Parte I — SANTIAGO GALARZA O escritório no alto do edifício empresarial, que servia de fachada para a logística dos Los Sombras, estava mergulhado em uma penumbra densa. O único som era o clique metálico do meu isqueiro de ouro, abrindo e fechando, um ritmo que acompanhava a batida acelerada da minha sêde de retaliação. Diante de mim, os monitores exibiam as coordenadas enviadas por uma fonte "anônima" — o rastro de uma carga que, por direito e força, deveria estar sob meu controle. As informações que chegaram até meus ouvidos, vazadas cirurgicamente pelos canais de Abel Arruda, indicavam que a Áquila não fora apenas roubada; ela fora humilhada por um terceiro grupo. O "Cartel do Nordeste" estava brincando no meu quintal, e Paulo Arruda, em sua senilidade paranoica, permitira que esses amadores interceptassem fuzis que mudariam o equilíbrio de poder em São Paulo. — Senhor — o meu chefe de operações, um homem que já enterrou mais inimigos do que eu posso contar, entrou na sala. — Os
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