Dias depois...O vento da noite já não soprava como antes. Havia algo nos intervalos, uma pausa, uma suspensão breve, um aviso contido. O mar recuava a corrente para dentro, como quem recolhe o fôlego antes de atravessar um limite.Durante o dia, até as gaivotas pareciam inquietas, voando baixo demais, em círculos imprecisos, como se soubessem antes do que ninguém ousava nomear.Puerto Nuvem respirava diferente. Não em agitação, mas em expectativa. Como um animal que pressente o impacto e, ainda assim, permanece imóvel.Não era o clima que mudava.Era o presságio.Algo estava chegando.***Amália encontrou Adrian no corredor da clínica no fim da tarde, alguns dias depois.Ele parecia menor dentro da própria pele, menos presença, mais sombra.— Adrian. — A voz dela estava firme, mas não dura. — Você já está sabendo?Ele ergueu os olhos devagar, como quem espera um golpe.— A Casamar... — Amália respirou fundo. — Vai mandar a Havenna de volta. Segunda.O impacto foi visível. O corpo de
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