Era uma biblioteca. Gigantesca. Prateleiras do chão ao teto. Havia um cheiro de papel velho, limpo, quase doce. Livros de todos os tamanhos, encadernados em couro, tecidos nobres, lombadas douradas. Eu entrei devagar, tocando os móveis como se fossem sagrados. — Evelyn ou Edmund gostavam de livros… — murmurei. — Pelo visto, sim. — William respondeu, cruzando os braços. — Talvez isso te ajude a não enlouquecer aqui. Olhei para ele. Ele não estava sendo gentil. Era só… constatação prática. Ele fechou a porta. — Não é isso que eu queria te mostrar. Tem mais. Ele não esperou resposta. Apenas virou e seguiu pelo corredor, e eu fui atrás. Passamos pela sala de jantar, por um salão enorme — exagerado, solene demais para uma casa isolada, e então por um corredor mais estreito, mais frio. O ar ali tinha cheiro de pedra limpa e abandono antigo. William abria portas como quem invade territórios inimigos: rápido, preciso, sem curiosidade. Mostrava apenas o que julgava necessário. Na
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