Pisquei várias vezes, tentando acostumar o olho ao próprio reflexo. Eu parecia outra pessoa. Abri a gaveta da penteadeira. Evelyn tinha cremes, pentes, perfumes. Tudo impecável. Peguei um pote quase cheio. Tinha um cheiro doce, floral, suave. Era cremoso na ponta dos dedos, macio de um jeito quase luxuoso. Ao entrar na água, passei um pouco no cabelo e senti os fios cederem, finalmente, pela primeira vez desde o dia anterior.Penteei devagar, pacientemente, arrancando nós, soltando o resto de areia, respirando devagar enquanto sentia o couro cabeludo relaxar. Depois trancei o cabelo em uma única trança grossa que caiu pelas minhas costas. Tinham pequenas ondas endurecidas de sal ainda, mas nada comparado ao que estava antes. Sai do banho e olhei para o espelho mais uma vez.Eu parecia… cansada. Machucada. Viva demais e ao mesmo tempo morta por dentro. Mas estava inteira. E isso já era alguma coisa.Desci as escadas devagar, porque cada degrau fazia minhas pernas protestarem. Pas
Leer más