Para Constança, chegar em casa ao final do dia era uma tortura. Sua casa não era qualquer coisa: era cheia de luxo e conforto. Qualquer pessoa ficaria feliz em chegar a um lugar assim depois de um dia de trabalho árduo, mas Constança odiava cada canto; aquelas paredes frias que pareciam se inclinar sobre ela até esmagá-la, o som alto dos rangidos que seus passos arrancavam do chão, eram um sinal inevitável de que aquele lugar estava tão vazio quanto ela.Soltou um suspiro antes de abrir a porta. Percorreu o corredor até a sala e, ao chegar, deixou cair a bolsa de grife e tirou os sapatos, deixando-os ali, no meio da sala, sobre o tapete cinza que cobria o chão. Foi até a cozinha, pegou uma garrafa de vinho e também uma taça em um dos armários suspensos, mas não a usou; bebeu direto da garrafa.Abriu uma gaveta: estava cheia de maços de cigarro. Havia parado há muito tempo, mas quando Isabela Duarte faleceu, voltou ao vício. Não conseguia dormir sem antes fumar alguns cigarros e beber
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