Eu comecei a entender aos poucos.Não como uma revelação súbita, nem como um choque. Foi mais parecido com quando a gente se dá conta de que sempre esteve olhando para alguém através de uma janela embaçada. A imagem existe, mas distorcida. E, de repente, sem aviso, o vidro é limpo.Henrico não era só frieza.Ele era o que vinha antes dela.Aurora adormeceu no meu colo naquela noite sem resistência. O corpo pequeno foi relaxando aos poucos, o peso leve se entregando com uma confiança que ainda me surpreendia. Eu estava sentada no sofá da sala menor, aquela onde a iluminação era mais suave e os sons da casa chegavam amortecidos, como se o mundo fosse mantido do lado de fora.O braço dela escorregou lentamente, a cabeça encontrando um encaixe natural contra meu peito. A respiração ficou ritmada. Calma. Pela primeira vez em dias, não havia tensão no corpo dela.Fiquei imóvel.Não queria quebrar aquele instante.Henrico entrou na sala sem perceber de imediato. Eu senti a presença dele ante
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