Depois que Aurora voltou para o quarto, a casa ficou grande demais.O silêncio não era mais tranquilidade. Era pressão. Como se cada parede estivesse ouvindo, registrando, esperando o próximo movimento errado. O ar tinha peso. O tipo de peso que antecede tempestade.Henrico permaneceu parado no meio da sala por alguns segundos, segurando o telefone na mão sem atender. A tela brilhava com chamadas perdidas, mensagens acumuladas, nomes importantes demais para serem ignorados.Mas ele ignorava.O homem que sempre respondeu antes que o mundo perguntasse estava imóvel. Rachando por dentro.Eu não disse nada.Ainda não.Ele passou a mão pelo rosto, depois pelo pescoço, depois fechou os dedos em torno do próprio pulso como se precisasse se ancorar fisicamente para não se desfazer.— Ela não podia — ele disse.A voz veio baixa. Rouca. Sem controle.— Ela podia — respondi. — E escolheu.Henrico riu uma vez, seco, incrédulo.— Depois de tudo — ele disse. — Depois do que eu fiz… ela aparece assi
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