Antônio Vitorino O som seco do couro da luva atingindo o protetor de foco ecoou pelas paredes de concreto da academia subterrânea da mansão de Milão. Era um ritmo constante, quase hipnótico, mas não era o suficiente para silenciar o barulho dentro da minha cabeça. Eu estava suado, o peito subindo e descendo em um compasso frenético, e cada fibra do meu corpo parecia carregada de uma eletricidade estática que eu não conseguia descarregar.Luigi, meu futuro cunhado e, naquele momento, meu saco de pancadas favorito, recuou um passo, ajustando os protetores. Ele sorriu, aquele sorriso insolente dos Mancini que me dava vontade de testar a resistência da mandíbula dele.— Calma, Antônio. Se você se cansar assim no dia da lua de mel, a Vincenza vai acabar pedindo o divórcio antes do café da manhã — Luigi provocou, a voz ofegante, mas carregada de sarcasmo. — O que foi? Nervoso com o altar? Ou é o medo de que ela realmente apareça de preto e você tenha que explicar para o cardeal que sua noi
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