ARIEL MACEY O choro de Vittoria tinha mudado. Não era mais aquele choro alto e manhoso de quando ela queria atenção. Agora, era um gemido baixo, constante, de quem estava exausta e com dor. — Shhh, meu amor... shhh... — Eu a balançava nos meus braços, caminhando de um lado para o outro no quarto. O calor do corpo dela irradiava através do pijama úmido de suor, queimando contra o meu peito. O termômetro continuava marcando 39 graus, teimoso, recusando-se a baixar mesmo depois do antitérmico que eu tinha dado há uma hora. Eu me sentia a pessoa mais solitária do mundo. Henrico estava na Itália. Eu estava presa em uma gaiola de ouro em Manhattan, com medo de sair e com medo de ficar. — Água... — Vittoria pediu. — Aqui, bebê. Bebe um pouquinho. Tentei dar a água, mas ela virou o rosto, irritada, e empurrou minha mão. A água derramou no lençol. — Não quero! Dói! As lágrimas voltaram aos meus olhos. Eu estava exausta. Tudo estava se acumulando em cima dos meus ombros, e ver minha f
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