Faz um mês que o Noah desapareceu. Falar isso em voz alta ainda me dá uma sensação estranha, como se eu estivesse contando a história de outra pessoa. Mas não estou. Sou eu. Sou eu que acordo todo dia com a mesma pergunta e vou dormir com a mesma falta de resposta.Eu tento continuar vivendo. Não porque quero, mas porque não tem escolha. A vida não para só porque a gente está quebrado. Então eu acordo, lavo o rosto, tomo café, vou pra aula. Faço tudo no automático. As pessoas ao redor parecem normais. Elas riem, reclamam, conversam sobre coisas que não fazem diferença nenhuma pra mim. Eu finjo acompanhar. Às vezes até consigo. Mas, na maioria das vezes, eu só penso que gostaria de voltar pra cama.O pior horário é a noite.Eu sonho com ele todos os dias. Não é sonho bonito. Não é pesadelo. É como assistir alguém que eu conheço estar ali, mas longe demais. Ele nunca fala comigo. Nunca chega perto. Às vezes está sentado em algum lugar, às vezes andando. Sempre quieto. Quando acordo, par
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