TARYNA noite me encontra acordada.A casa silencia cedo, como se todos tivessem seus próprios pensamentos para refletir. Sento-me à beira da cama, as mãos pousadas no colo, encarando nada em particular.É assim que as lembranças vêm.Minha mãe sorria com os olhos.Não era um sorriso aberto, escancarado. Era suave. Íntimo. Como se estivesse sempre dividindo um segredo comigo. Quando eu era pequena, dividíamos um quarto simples, com uma janela estreita que deixava entrar o sol matinal. Ela acordava antes de mim e preparava o chá enquanto eu fingia dormir, só para sentir sua presença.Sua saúde era boa naquela época.Ela caminhava pelos campos comigo, ensinava os nomes das plantas mais comuns, aquelas que cresciam sem cuidado algum. Nunca falou de magia. Nunca de feitiços.Falava de observar.De respeitar o tempo das coisas.De não arrancar nada da terra sem pedir permissão.— A terra ouve — dizia, passando a mão pelos meus cabelos. — E devolve do jeito que pode.À noite, quando a febre
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