Camila percebeu a mudança logo cedo. A Hacienda parecia igual, com cheiro de café e vozes na cozinha, mas os corredores tinham outra respiração. As conversas diminuíram, os passos ficaram rápidos, portas antes abertas agora estavam quase fechadas, e o rádio da segurança estalava num ritmo constante.No hall, Nazaré estava parada perto da escada, pano na mão, mas não limpava nada. Olhava a porta principal, depois o corredor dos quartos, como quem mede distâncias. Camila não perguntou. Só entendeu.A Hacienda não era mais casa. Era bunker.Subiu, conferiu o bebê dormindo, ajeitou o cobertor e, por um instante, quis acreditar que aquilo era blindagem suficiente. Quando desceu de novo, ouviu vozes vindas da sala principal e seguiu naquela direção com o coração acelerado.Rafael estava no centro do cômodo, com Herrera, Esteban e dois seguranças. Sobre a mesa havia um mapa grande da propriedade, pontilhado de círculos e setas, além de relatórios, fotos impressas e tablets com telas acesas.
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