A manhã seguinte acordou tensa. Depois da febre do bebê, ninguém descansou de verdade, e a sensação de que qualquer descuido podia virar tragédia já estava grudada nas paredes. Rafael atravessava os corredores com o rosto fechado, conferindo portas e janelas como se procurasse, à força, a falha que o inimigo queria achar primeiro.
Foi Mauro quem notou a janela. Na ala leste, perto da sala de TV que quase não usavam, uma faixa de luz cortava o corredor. A janela voltada para o jardim estava entreaberta. Em outro momento seria só descuido; agora parecia um grito.
— Rafael, ala leste, janela lateral — chamou pelo rádio.
Ele chegou em poucos segundos. O olhar passou pelo vidro, pelo batente, pelo jardim do lado de fora e parou no segurança responsável pelo turno, um rapaz novo, ainda com jeito de quem tenta provar que merece o uniforme.
— Quem cuidou desta ala de madrugada?
— Eu, senhor — respondeu, pálido. — Fechei tudo, fiz checklist, juro.
— E, mesmo assim, eu acordo com janela aberta