ANAO som do culto ecoava pelas paredes simples da igreja no alto do morro. Palmas, vozes levantadas, gente chorando, gente pedindo, gente agradecendo. Ali, todo mundo tinha uma dor… e todo mundo fingia um pouco também.Mas ninguém fingia tão bem quanto eu.Sentada na terceira fileira, cabeça levemente baixa, mãos entrelaçadas sobre a Bíblia, eu parecia intocável. O vestido comportado escondia cada curva, o cabelo preso deixava o rosto limpo, e o olhar… ah, o olhar era de uma doçura que enganava até quem não acreditava em nada.— Essa menina é um exemplo — cochichou uma senhora mais velha. — Queria que minha neta fosse assim.Eu ouvi. Sempre ouvia.E sorri de leve, como quem não quer chamar atenção.Mas chamei.Do lado de fora da igreja, encostado na parede, ele observava. Braço cruzado, olhar firme, aquele tipo de presença que fazia os outros abrirem caminho sem perceber. Não era homem de igreja… mas também não era homem de ignorar o que despertava curiosidade.E eu sabia.Sabia desd
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