A sala de jantar da família Vasconcelos era grande demais, fria demais, silenciosa demais.O tipo de ambiente construído para impressionar — não para acolher.Uma mesa comprida, de mogno polido, ocupava o centro como um trono horizontal.Pratos finos, taças alinhadas, castiçais acesos.Tudo impecável, tudo calculado.Mas, quando Clara e Henrique entraram, o silêncio ficou mais pesado do que qualquer decoração de luxo.A mãe dele foi a primeira a se manifestar.— Finalmente chegaram. — disse, sem disfarçar o tom crítico. — Estávamos esperando.Clara sorriu educadamente, mesmo sentindo o estômago tensionar.— Boa noite — ela respondeu, com suavidade.Henrique pousou a mão na lombar dela, num gesto sutil, mas cheio de presença.Ele estava ali. Com ela.A irmã dele, Mariana, levantou-se e veio abraçar Clara com sinceridade.— Estou tão feliz por vocês — disse, baixo. — E ignora qualquer cara feia.Clara sorriu, aliviada por um segundo.Mas o resto da família permaneceu sentado, apenas obs
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