Sebastian Viccari Londres é uma cidade de sombras, mas naquela noite, ela parecia feita de espelhos. A chuva começou a cair — uma garoa fina e gelada que transformava o asfalto de Mayfair em um rio escuro, refletindo as luzes douradas dos postes. Eu estava encostado no carro, sentindo o frio penetrar no meu terno, mas meu corpo estava em chamas. Eu tinha acabado de enfrentar Alexandre. Tinha oferecido o meu império em troca de uma vida. E agora, eu esperava. A cada segundo que passava, o medo de que Dante tivesse vencido, de que ele a tivesse arrastado de volta para a escuridão da obediência, apertava minha garganta. Então, a porta do edifício se abriu. Primeiro vi a luz do saguão cortando a penumbra da calçada. Depois, vi ela. Aurora não saiu caminhando com a hesitação de uma prisioneira; ela saiu correndo. O vestido azul-profundo, o mesmo que ela usava no museu, estava levemente erguido enquanto ela descia os degraus de mármore com uma urgência que fez meu coração parar. E
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