Sebastian Viccari
O interfone da minha cobertura em Canary Wharf tocou às dez da noite de uma terça-feira chuvosa. Eu estava sozinho, cercado por garrafas de cristal e silêncios que eu mesmo construí. Enzo já tinha ido embora. Ricardo, o cão de guarda dos Moretti, estava certamente postado no prédio vizinho.
— Sr. Viccari, há uma senhora na recepção. Ela diz que não sai enquanto o senhor não a receber — a voz do porteiro estava carregada de uma hesitação que eu raramente ouvia. — Ela se identificou como Stella Moratti.
Meu coração, aquele órgão que eu tentava convencer de que era feito de grafite e cálculo, deu um solavanco violento. Stella. A mulher que carregava nos olhos a mesma inteligência afiada de Aurora, mas temperada por décadas de paciência e sofrimento silencioso.
— Deixe-a subir — respondi, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia.
Quando a porta do elevador se abriu, Stella entrou na minha sala como se estivesse entrando em uma catedral em ruínas. Ela não olh