Alexandre Moretti
O escritório na Avenida Faria Lima estava mergulhado numa penumbra artificial. O ar condicionado trabalhava no máximo, mas o clima dentro da sala era de uma combustão iminente. O meu pai — ou melhor, o homem que me deu o nome e o império — estava sentado atrás da mesa de jacarandá. Ele parecia mais velho. Mais cansado. Mas o que me enfurecia não era a sua idade; era a sua complacência.
— Você fez o quê, pai? — perguntei, a minha voz saindo como um chicote. — Você realmente