~ Lis ~ Corri instintivamente para o quarto da Mila, deixando o celular cair para trás no corredor. O som seco do impacto ecoou mais alto do que deveria, como se denunciasse minha fuga. Cada passo parecia pesado demais, o coração batendo no pescoço, descompassado, quase doloroso. Então ouvi a voz. — Eu sei que você tá aí, Lis. O tom era manso. Quase gentil. — Sai daí, mostra teu rostinho… — continuou, com falsa paciência. O medo me travou no meio do quarto. Quis gritar, mas o corpo não respondeu. Era como se meus músculos tivessem esquecido para que serviam. Meu telefone tocou de novo, distante, no corredor. Ele fez questão de colocar no viva voz para que eu pudesse ouvir toda a conversa. Do outro lado, ouvi a voz da Mila, aflita. Logo depois, a de outro homem. Firme. Controlada. Lorenzo. O riso do Marcos atravessou o fio, provocador, e as duas vozes se misturaram como um ruído insuportável. Aquilo me deu vontade de vomitar de medo e de raiva. Minha mente entrou no automát
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