~ POV do Marcos ~
O cheiro de água sanitária queimava minhas narinas. A sala onde ficavam os telefones era uma espécie de caixote abafado, sem janela, com paredes encardidas de mofo e suor velho.
Um ventilador de teto girava devagar demais para ser útil — fazia mais barulho do que vento.
Eu já conhecia aquele lugar melhor do que gostaria. Algumas semanas aqui dentro são suficientes para transformar qualquer um em especialista no próprio inferno.
Mas hoje… hoje estava diferente.
O carcereiro que me trouxe até aqui me chamou de “senhor Marcos”.
“Senhor”.
Aqui. Nesse buraco.
Ele abriu a porta pra mim como se estivesse abrindo para um juiz.
Quando a voz dela entrou na linha, a sala pareceu diminuir.
— Boa tarde, Marcos.
A Dama.
Sempre naquele tom baixo, doce, que parecia conversar por cima da minha cabeça — não comigo, mas com alguém mais importante.
Eu respirei fundo, encarando o azulejo rachado da parede.
— Então é a senhora hoje… — Minha voz saiu baixa. — A Dama resolveu honrar meu di