Acordei antes dele, como vinha acontecendo nos últimos dias. Fiquei alguns segundos imóvel, encarando o teto alto, tentando localizar em que ponto exato da minha vida eu estava. Vinte dias. Em menos de um mês, eu tinha atravessado um oceano, passado a dividir a rotina com um homem que até pouco tempo atrás parecia pertencer a um universo inalcançável e acordava, agora, num castelo em Portugal, com o corpo dele servindo de abrigo natural ao meu. Não tinha sido uma transição suave. Tinha sido um empilhado de acontecimentos, sustos, decisões rápidas e sentimentos que não pediram licença. E, ainda assim, ali, naquele instante, tudo parecia estranhamente… real. Lorenzo dormia de lado, o braço pesado sobre a minha cintura, a testa encostada logo abaixo do meu queixo. Passei os dedos com cuidado pelos fios levemente desalinhados do cabelo dele. Ele resmungou algo em italiano e apertou a mão na minha cintura, me puxando um pouco m
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