O som do tapa ainda vibrava no meu pulso.
O champanhe escorria pelo meu rosto, gelado, misturado ao calor que se acumulava no meu peito. Eu respirava rápido demais. O mundo dava leves empurrões para os lados — não o suficiente pra me derrubar, mas suficiente pra avisar: você bebeu demais, idiota.
E então veio a voz. O ar do salão pareceu trincar.
Lorenzo avançava pelo corredor como uma tempestade humana. Terno impecável, máscara na mão, o olhar escuro varrendo o ambiente até parar em mim.
Primeiro, o meu rosto molhado.
Depois, Bianca segurando o próprio rosto como se tivesse sido atropelada.
Depois, as dezenas de celulares apontados.
E eu nem conseguia dizer nada.
A cabeça estava leve.
O chão, estranho.
Lorenzo parou entre nós, a respiração pesada, o maxilar duro.
— Mila… — ele deu um passo na minha direção, mas Bianca se enfiou na frente dele como uma barata atirada na luz.
— Lorenzo! — ela gritou, histérica, apontando pra mim como se eu tivesse puxado uma arma. — Ela me agrediu! Ela