As luzes âmbar do bar pareciam ter sido espalhadas com pincel, refletindo nos vidros, nas garrafas e no balcão de mármore como se alguém tivesse passado mel quente em tudo. O som distante da festa chegava abafado, como música tocando do outro lado de uma porta grossa. Um contraste gritante com o caos que ainda fervia dentro da minha cabeça.
Sentei no banco alto, soltando a taça de champanhe sobre o balcão num gesto que mais parecia devolver um problema. Meus dedos tremiam levemente, e eu nem sabia se era do frio, da adrenalina ou do tanto de sentimento preso entalado no peito.
— Um uísque. Duplo. — minha voz saiu firme, mas minha mão tremia levemente.
Chiara virou o rosto tão rápido que quase derrubou a própria máscara.
— Mila?!
O bartender empurrou um copo de cristal pesado na minha direção. O líquido âmbar, quase vermelho sob aquela luz baixa, subiu quente antes mesmo de eu encostar o nariz no copo. Um cheiro que queimava por dentro.
Segurei com as duas mãos — o cristal estava gelad