A consciência voltou em pedaços. Primeiro, a dor. Uma dor surda, espalhada, como se o corpo de Marina tivesse sido desmontado e remontado às pressas. A cabeça latejava com força, cada batida do coração ecoando dentro do crânio. Havia um gosto metálico na boca, seco, amargo, e o ar que entrava nos pulmões parecia pesado demais, difícil de sustentar. Ela tentou se mexer. Não conseguiu. Um gemido fraco escapou de seus lábios. Os olhos se abriram lentamente, piscando várias vezes até que a escuridão deixasse de ser um borrão indistinto. O teto acima dela era de pedra irregular, úmida, marcada por fissuras antigas e manchas escuras que ela preferiu não identificar. Raízes grossas atravessavam as paredes, como veias expostas, e um cheiro de mofo, sangue seco e terra impregnava o ar. Cativeiro. A palavra se formou em sua mente antes mesmo que o pânico chegasse. Marina tentou inspirar fundo — e falhou. O peito se apertou, o ar ficou preso, e o medo subiu rápido demais, queimando a g
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