Gael LubiancoDuas semanas depois.Era impressionante como o tempo podia passar rápido e, ao mesmo tempo, carregar um peso silencioso em cada dia. Depois do jantar na casa da minha mãe, a vida tinha seguido em um ritmo aparentemente normal. Aparente era a palavra certa. Por fora, tudo funcionava como deveria: trabalho, casa, meninos, consultas médicas, pequenas rotinas que davam a sensação de estabilidade. Por dentro, no entanto, havia algo em suspensão, como se eu estivesse esperando uma peça invisível cair no lugar, ou desmoronar de vez.Leandra parecia bem. Mais serena, mais centrada. A gravidez avançava, e eu percebia nela uma mistura delicada de força e vulnerabilidade que me fazia querer protegê-la do mundo inteiro. As meninas mexiam bastante, os meninos estavam numa fase curiosa e falante, e a casa, apesar de tudo, tinha voltado a respirar normalidade.Mas eu não.Desde aquela conversa no café da manhã, quando Leandra me disse, com uma convicção silenciosa, que não acreditava q
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