Marcos Finalmente. Finalmente beijei Clara. Não foi algo planejado. Não foi como deveria ter sido ou como imaginei durante tantas noites mal dormidas. Não houve cenário perfeito, nem música de fundo, nem frases bem ensaiadas. Foi cru. Foi real. Foi inevitável. Quando olhei nos olhos dela perdidos, tensos, quase pedindo silêncio, eu soube. Não precisei pensar muito. Não houve espaço para lógica. Ou era agora, ou nunca. E, sendo honesto comigo mesmo, eu tenho que admitir que já tinha esperado tempo demais. Esperei sinais mais claros, esperei o momento certo, esperei que ela resolvesse algo que eu nem sabia exatamente o que era. Esperei por respeito, por cautela… e acabei esperando por medo. O gosto do beijo dela ainda está na minha boca. Um toque suave, meio doce, com aquela urgência contida de quem quer, mas não sabe se deve. Como se cada segundo fosse roubado do bom senso. Como se estivéssemos ultrapassando uma linha invisível e perigosa. E ela correspondeu. Por um instante ape
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