Agora eu sou casada com seu irmão
Helena nunca acreditou que um sobrenome pudesse pesar tanto.
Mas Ferrentini pesava, pesava em cada olhar atravessado na balada onde trabalhava à noite.
Pesava na forma como os homens ricos achavam que dinheiro comprava tudo.
Naquela madrugada, quando saiu do trabalho caminhando sozinha pelas ruas quase vazias, Helena ainda sentia o olhar de Matteo Ferrentini queimando sobre ela.
Ele sempre a observava.
Sempre.
Mesmo quando estava cercado por mulheres.
Matteo era fogo, impulsivo, perigoso.
E naquela noite, quando a viu sendo assediada por um estranho na rua, o fogo virou violência.
Ele não hesitou.
Helena soube, naquele instante, que estava entrando em território proibido, mas ela ainda não conhecia o verdadeiro perigo.
O verdadeiro perigo não tinha olhos cor de mel, tinha olhos verdes escuros.
E não beijava por impulso, oferecia contratos.
Na manhã seguinte, Lorenzo Ferrentini entrou na cafeteria onde Helena trabalhava como se o mundo fosse propriedade sua.
E talvez fosse.
Ele não a olhou como mulher, a olhou como solução.
Dias depois, faria uma proposta que mudaria o rumo da vida dela:
Um casamento temporário.
Dinheiro suficiente para salvar a mãe, e nenhum espaço para sentimentos.
Helena acreditou que conseguiria separar coração de necessidade.
Não conseguiu.
Porque amar o homem errado era fácil, difícil era dividir o sobrenome com ele.
E mais difícil ainda…
Era começar a sentir algo pelo irmão que nunca prometeu amor.