Mundo ficciónIniciar sesiónNum mundo de vaidosos, os menos abastados precisam fazer sua parte para garantir a concentração de recursos no Núcleo. O jovem provinciano Simas, cuja maior ambição é não precisar carregar nos ombros o fardo do que restou de sua família após as tragédias do passado, tenta apenas fornecer o que lhe é cobrado. Tudo promete mudar com mais um fim de ciclo anual. É uma época muito aguardada, pois traz aos provincianos uma chance de serem resgatados e se integrarem ao Núcleo. Dizem que há uma vida de oportunidades lá, embora ninguém tenha retornado para descrevê-las. Ao contrário dos demais, Simas prefere permanecer invisível e não apostar no desconhecido. No entanto, algo dará errado desta vez, e logo ele perceberá que tinha razão em se resguardar. O Núcleo precisa de material descartável para seu mais novo modo de entretenimento: um jogo em que pessoas reais perdem seu livre-arbítrio e são vendidas como personagens usados em realidades virtuais. Simas descobrirá um universo novo e perverso, despertará a atenção de inimigos poderosos e tentará conquistar o apoio de um aliado improvável. Ele precisará, acima de tudo, criar sua própria maneira de jogar se quiser recobrar a liberdade e sobreviver.
Leer másEle empurrou uma porta cinza e me guiou para o interior do prédio. Entramos por um corredor que nos levou até um elevador circular. O ambiente era opressivo, ou talvez fosse o frio na minha barriga que tornasse tudo tão intimidante. Após um saguão e uma porta, fui deixado sozinho numa sala escura. Havia apenas uma plataforma no centro, onde me posicionei, seguindo as instruções.
Durante uns segundos, o local permaneceu em absoluta escuridão. Em seguida, tudo começou a se iluminar em tons de azul. Uma música tocava, e era, mais uma vez, muito diferente de tudo que eu já havia escutado.
Eu estava atônito.
Imagens começaram a percorrer a sala, saltando por toda parte; cruzavam o ar como projéteis; a princípio, supus que fossem reproduzidas por telas, mas a própria luz parecia sólida. Palavras, símbolos e sinais. Tudo era novidade para mim: até então eu não havia descoberto que imagens podiam se assemelhar a algo tangível. Tratava-se de projeção luminescente; ao mesmo tempo em que letras dançavam ao redor, elas se quebravam como fumaça através da matéria.
E então, surgindo subitamente às minhas costas, um rapaz se aproximou de mim. Seu sorriso era largo, estampado feito pintura num painel, inalterável. Ele não me deu qualquer atenção, mas parecia ciente de que eu estava ali. Pigarreou uma vez, antes de fixar o olhar naquela confusão de luz e de nada, apontando as mãos abertas na minha direção, como um mestre de cerimônias apresenta o espetáculo — ou, mais precisamente, como um vendedor exibe sua mercadoria.
— Olá, meus queridos parceiros — falou o rapaz, embora eu fosse a única pessoa presente. — Sejam bem-vindos à nossa transação!
Para nós, é uma grande realização finalizar esta primeira etapa da série. Não teria sido possível sem todas as palavras amigas, os incentivos calorosos e, acima de tudo, a confiança que recebemos. Gostaríamos de agradecer imensamente àqueles que nos auxiliaram:Natalia Saj, por ter produzido as lindas capas da série e ter sido uma das nossas primeiras leitoras críticas.Hellen Caroline, por sua incomparável dedicação à revisão da obra. Uma pessoa incrível e uma profissional talentosa que tivemos a sorte de encontrar na reta final do processo.Rodolfo Marques, por ter nos concedido uma de suas virtuosas composições para que usássemos na divulgação, bem como por nos ajudar com nossas pesquisas para a obra.Sandro Aragão, por sua disposição e competência ao bater nossas fot
Eu contava as más notícias à Magister. Ela se sentava no centro de sua mesa em formato de meia-lua. Estávamos em seu escritório, de interior amplo e circular. Eu sempre admirara sua sala: a maneira como a projeção dimensional no piso dava a sensação de que o chão era fofo como areia sob os pés, as janelas amplas que proporcionavam o vislumbre da parte mais bela da cidade.Nos últimos anos, a Corte vinha travando uma batalha ferrenha contra a mentalidade conservadora, lidávamos com os rebeldes: criaturas asquerosas, sempre tentando "ver além do momento". O Simulador era uma manobra para direcionar sua atenção a algo que não fosse prejudicial ao interesse do Núcleo.Por conta disso, a ideia de que alguns provincianos haviam conseguido escapar da ilha de Ventura era preocupante. Além disso, havia aquela bronca se esgueirando pela cidade; uma
As águas noturnas, negras e misteriosas, escorregavam sob o barco como se velejássemos num véu.Pouco a pouco, a ilha sumia de vista. Olhei para o horizonte, ao oeste, onde mais tarde veria surgir o continente, e não pude evitar o arroubo de ânimo que me acometeu.Eu mal podia acreditar, mas em breve chegaria à província. Parecia fazer séculos desde que eu tinha estado em casa. Podia imaginar a indignação no rosto do meu pai, a surpresa de Farid e a alegria de Lena.De repente, a angústia das últimas semanas parecia pequena comparada com o prazer de eu me ver, desde tanto tempo, liberto.Isso me remeteu ao meu velho dilema de infância, quando um pensamento parecia contagiar os sentidos, com tamanha intensidade, capaz talvez de durar a eternidade. A ideia de contemplar o sorriso da minha irmã; de visitar a madeireira; de correr pela floresta que ladeava minha ca
Faltavam minutos para meia-noite. Com uma mochila nas costas e o mapa de cartolina no compartimento da frente, eu aguardava aflito. Kaira e Eidan ainda perambulavam pela casa, limitados pelos comandos de seus respectivos jogadores, mas isso não duraria muito tempo, pois assim que o servidor se desligasse, eles recobrariam sua autonomia, e então fugiríamos da cidade.Eu poderia esperar sentado na poltrona do saguão, porém, estava tão ansioso que era incapaz de me manter parado; vagava, alternando o olhar entre o relógio e a porta da frente. Havia antecipado aquele momento por dias, verificara cada detalhe do plano para ter certeza de que nada daria errado.Alve tinha confirmado, no dia anterior, que sua parte estava feita. No entanto, ainda tínhamos que considerar diversas variáveis — nem todos os pormenores podiam ser previstos.Precisaríamos de sorte, mas principalmente de sangue-frio.
Último capítulo