Autômato (Projeto Colmeia 1)

Autômato (Projeto Colmeia 1)PT

Marco Barbieri  Em andamento
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Resumo
Índice

Num mundo de vaidosos, os menos abastados precisam fazer sua parte para garantir a concentração de recursos no Núcleo. O jovem provinciano Simas, cuja maior ambição é não precisar carregar nos ombros o fardo do que restou de sua família após as tragédias do passado, tenta apenas fornecer o que lhe é cobrado. Tudo promete mudar com mais um fim de ciclo anual. É uma época muito aguardada, pois traz aos provincianos uma chance de serem resgatados e se integrarem ao Núcleo. Dizem que há uma vida de oportunidades lá, embora ninguém tenha retornado para descrevê-las. Ao contrário dos demais, Simas prefere permanecer invisível e não apostar no desconhecido. No entanto, algo dará errado desta vez, e logo ele perceberá que tinha razão em se resguardar. O Núcleo precisa de material descartável para seu mais novo modo de entretenimento: um jogo em que pessoas reais perdem seu livre-arbítrio e são vendidas como personagens usados em realidades virtuais. Simas descobrirá um universo novo e perverso, despertará a atenção de inimigos poderosos e tentará conquistar o apoio de um aliado improvável. Ele precisará, acima de tudo, criar sua própria maneira de jogar se quiser recobrar a liberdade e sobreviver.

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Prólogo
Ele empurrou uma porta cinza e me guiou para o interior do prédio. Entramos por um corredor que nos levou até um elevador circular. O ambiente era opressivo, ou talvez fosse o frio na minha barriga que tornasse tudo tão intimidante. Após um saguão e uma porta, fui deixado sozinho numa sala escura. Havia apenas uma plataforma no centro, onde me posicionei, seguindo as instruções.Durante uns segundos, o local permaneceu em absoluta escuridão. Em seguida, tudo começou a se iluminar em tons de azul. Uma música tocava, e era, mais uma vez, muito diferente de tudo que eu já havia escutado.Eu estava atônito.Imagens começaram a percorrer a sala, saltando por toda parte; cruzavam o ar como projéteis; a princípio, supus que fossem reproduzidas por telas, mas a própria luz parecia sólida. Palavras, símbolos e sinais. Tudo era novidade para mim: at
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Capítulo Um
Quanto realmente dura um pensamento?Esta era a pergunta. Quanto tempo decorre do momento em que se formula um pensamento até o instante em que ele vai embora?Às vezes, quando mais jovem, eu olhava para o céu e me dava conta de que choveria, e então me atinha a isso, à concepção de que a chuva estava por vir, tentando estudá-la por todo o tempo em que ela estivesse comigo. Mas, de uma maneira ou de outra, como quando eu contava os minutos antes de dormir, era impraticável cronometrar a duração de uma ideia.Sempre fui assim: perguntas não me agradavam, a menos que viessem acompanhadas de resposta — ou, minimamente, da possibilidade de existir uma resposta. Mas eu sabia desde criança que ninguém elucidaria essa dúvida pessoal, sobre a duração das coisas que não podemos medir. Ninguém se importava. Talvez nin
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Capítulo Dois
Foi apenas à noite que pude retornar ao refúgio dos meus tesouros. Tive que me satisfazer com somente a sensação de ter meu novo livro velho nas mãos, pois àquela hora a floresta já estava escura e eu não podia distinguir as palavras no papel, meus olhos doíam quando eu tentava forçá-los.Por entre as árvores, andando alguns poucos minutos desde o córrego, era possível ver as cercas que contornavam a casa de argamassa fina, toda branqueada com cal. Quando entrei, estremeci de frio; desejei poder despir o casaco, porém o interior estava quase tão gelado quanto as ruas lá fora.— Passou na venda? — perguntou meu pai. Ele estava de costas à porta, em frente à lareira, com os braços cruzados enquanto observava as chamas.Apoiei as sacolas de papel sobre a mesa e exprimi um gemido, sinalizando que sim.A sala t
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Capítulo Três
No caminho de volta, o automóvel sacolejava mais do que na ida, agora que não carregávamos troncos na traseira. Pude ver o Núcleo mais uma vez enquanto o panorama diminuía gradativamente no retrovisor. O vento sacudia a copa das árvores no acostamento. O ar parecia rarefeito aqui do alto, fazendo-me sentir mais relaxado.Plinio me ofereceu um adiantamento para que eu pudesse comprar uma roupa bacana para a festa. Apesar de aceitar o dinheiro, eu não prometeria comparecer amanhã.— Se eu fosse mais jovem, vestiria algo muito bacana — dizia Plinio. — Todos me notariam. Todos olhariam para mim.Franzi o cenho.— Você tem quase a minha idade.Plinio estava nos vinte e poucos, apesar de parecer um tanto mais velho e ter a saúde muito fraca para alguém tão jovem. Ele ficou ligeiramente sem jeito.— É. Bem... é verdade &mda
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Capítulo Quatro
A noite era impenetrável. Embora eu me sentisse exausto, era como se nenhuma parte de mim estivesse disposta a descansar. A cama rangia a cada movimento inquieto, o que já parecia estar durando horas. Eu sabia que a manhã chegaria e eu precisaria estar de pé, mas por mais que tentasse desligar a consciência, um pedaço dela continuava funcionando a todo vapor.Meus olhos se adaptaram muito rapidamente à pouca luz, que entrava no quarto através da janela e que vinha de um dos postes na calçada. Eu conseguia discernir o contorno da mancha que havia no teto, bem na direção do meu olhar, e a encarava por uma eternidade.Quando mais novo, eu costumava ter pesadelos, razão pela qual, por tantas vezes, recusara-me a me deitar. Com os anos, eles foram se tornando menos frequentes. Agora minha maior dificuldade não era me manter na cama, mas essencialmente dormir. Em pensamento, os aconteci
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Capítulo Cinco
A celebração prosseguiu. Os mesmos feirantes realizavam seus rodízios; os jovens dançavam, agindo como se nada tivesse acontecido.Eu havia perdido Lena de vista. Mergulhei no tumulto e abri caminho. Gritei seu nome e consegui encontrá-la cerca de cinco minutos depois, perto da urna de madeira.— Eu disse para não se distanciar!Ela tinha um semblante culpado.— Desculpe, a multidão me arrastou.Lancei à garota um olhar complacente. Era mesmo muito fácil se perder naquela selva de pessoas.Retornamos a um ponto menos movimentado, e eu já me preparava para comprar algo para comermos quando Lena puxou meu braço com força.— O papai está aqui!Olhei na direção em que ela apontava e pude ver o homem de jaqueta vermelha chamativa, enroscado como uma serpente numa negra alta. Semicerrei os olhos, imaginando que a
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Capítulo Seis
Quando eu era criança, minha mãe me levava em passeios casuais pela floresta. Eu ficava fascinado com as aves, a vegetação densa e o córrego do rio, mas o que mais chamava minha atenção era uma planta de flor púrpura que crescia livremente por algumas partes da cidade. A beladona, como a mãe a chamava, era uma erva daninha; eu não entendia como podíamos considerar ruim algo tão insuspeito. Em seu caule brotavam pequenos frutos redondos de um negro profundo, que se assemelhavam a jabuticaba, e eu tinha vontade de botá-los na boca. Minha mãe sempre me fazia prometer que jamais experimentaria a fruta: embora as bagas fossem doces e saborosas, eram muito tóxicas, um punhado delas continha substância alucinógena forte o suficiente para me matar. Por isso eu sempre admirava as beladonas de longe, receoso de me aproximar delas, ainda que fossem tão bonitas que me fiz
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Capítulo Sete
De volta ao quarto, eu ainda tentava assimilar o que meu pai tinha dito. Lena estava sentada na sua cama, séria.— O papai está irritado, não é? — supôs ela.Sentei-me ao seu lado.— Não sabemos o que vai acontecer com ele — respondi, com sinceridade.Lena tomou fôlego.— Mas sabemos o que vai acontecer com a gente.Ela realmente ansiava pelo pagamento que nos seria concedido pelo Núcleo, estava claro. No entanto, eu não sabia se isso se tratava de pura ambição ou se ela apenas repetia o tipo de discurso que meu pai proferia quando estava embriagado.Observei minha irmã por alguns segundos. Ela sempre parecera mais nova que as garotas de sua idade, mas algo em seu semblante a transformava numa criança bem pequena agora — talvez fosse a serenidade com que lidava com a situação.Eu ainda n&ati
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FARID: I. Bom o Bastante
agora a droga dos gritos vinham da cozinha, mas eles sempre vinham de algum lugar. às vezes era meio chato, ainda mais quando eu tentava dormir. eu era um sujeito otimista, via pelo lado positivo. quando as pessoas se detestavam tanto, não prestavam atenção em mim. se tinha alguma coisa que eu sabia bem era que tudo tinha um preço, e que paz de espírito se comprava com a desarmonia dos outros. em geral, os oligarcas (aqueles filhos da puta), homens da milícia que guardavam as ruas da província, faziam patrulhas regulares, quando não montavam cabine no complexo habitacional. assim sendo, sempre que um prédio pegava fogo ou um ladrão era pego no centro da província, as patrulhas se esqueciam da existência do complexo. por que em casa seria diferente?mas eu não desejava mal a ninguém. tipo, eu não era um cara ruim.talvez fosse mesmo melhor que a lena despejasse
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Capítulo Oito
Eu ainda ofegava. Sentia os pneus começarem a girar, pegando velocidade progressivamente. Logo tomaríamos distância da praça rumo à guarita. A superfície em que eu estava sentado era fria, e, embora o escuro fosse absoluto, eu conseguia sentir a presença de outras pessoas ao redor.Contorci os braços. Puxei as mãos como se fosse forte o bastante para arrebentar as algemas, mas elas continuavam atadas uma a outra atrás das minhas costas.A noção do que estava acontecendo vinha em forma de fluxos: eu estava preso no furgão. O furgão ia para o Núcleo. Mas os Margons nunca iam para o Núcleo. Eu precisava sair!Levantei-me. A movimentação do veículo me fez desequilibrar. Caí de lado e, sem poder amparar meu corpo com as mãos, bati com o braço no chão. Ouvi risadas graves.— Sossega esse facho, rap
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