Três Vezes Você

Três Vezes VocêPT

Paula Albertão  Em andamento
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Resumo
Índice

Isabel tem uma vida controlada, onde tudo que prioriza é a sua segurança e estabilidade. Tudo munda na noite em que completa 18 anos e decide ir até a casa de sua infância, agora abandonada, e encontra um rapaz de sua idade que é muito gentil e espontâneo. Esse simples fato desencadeia um evento trágico, traumatizante e que muda completamente sua vida. Após perder tudo, Isabel não sabe que caminho seguir e vê tudo pelo que lutou, sumir sem que ninguém possa fazer nada. Ela só não esperava receber uma segunda chance depois de todo o caos, como se nada tivesse acontecido.

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18 chapters
1
                Olhei pela janela, afastando levemente a persiana cinza chumbo com os dedos. Lá fora a lua estava cheia, majestosa, iluminando a cidade completamente silenciosa.                Era tarde, ou muito cedo, dependendo do ponto de vista. Três horas da manhã mais ou menos. Não olhei o relógio para conferir, mas percebi que estava passando a mão pelo relógio em meu pulso.                Desci a mão e deixei apenas a que estava abrindo espaço para o mundo exterior. Meu olhar percorreu a rua lá embaixo, havia alguns carros velhos estacionados aleatoriamente, e estavam lá há muito tempo. Me perguntei se por acaso alguém podia estar usando-os de abrigo aquela noite.   &n
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2
                 Acordei de um breve cochilo no sofá para ir trabalhar meu último dia daquela semana. Por um momento apenas sentei e passei a mão pelo pescoço enrijecido pela má postura, e pensei nos acontecimentos da madrugada.                Agora, com a luminosidade transpassando levemente pelas persianas, tudo parecia muito distante. Como um sonho ou uma memória do passado.                Me levantei e fui pegar meu uniforme em cima da cama: apenas uma camiseta de gola branca e uma calça jeans, nada demais.                Não comia em casa nunca, então apenas escovei os dentes e prendi meu cabelo. Quando me olhei no espelho, avaliei q
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3
                Quando o carro me deixou na frente do prédio no final do dia, eu estava exausta. Não tanto fisicamente, mas muito mentalmente.                Subi as escadas desanimada depois de acenar para o Sr. Sales, que logo iria para casa, e atravessei meu corredor escuro observando a luz da televisão da Sra. Fring.                Abri a porta do meu apartamento, subitamente feliz por estar em casa. Era pequeno, bagunçado e sem luxo, mas era seguro. Sem querer pensar que aquilo só era possível por causa do meu trabalho, fui até o banheiro.                Deixei que a água morna e sem pressão caísse pelo meu corpo, e minha mente vag
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4
                Quando destranquei a porta do apartamento não consegui acreditar no que tinha feito. Mas ali estávamos nós. Tínhamos andado juntos até meu prédio e subido as escadas, sem que Daren questionasse o motivo de eu não usar o elevador, atravessado o corredor e entrado.                Era a primeira vez que alguém entrava ali e por mais que a ideia tivesse sido minha, me sentia um pouco exposta, então enquanto Daren varria o lugar com os olhos, fui até a cozinha e comecei a pegar os ingredientes da geladeira meio torta e dos armários velhos.                Daren se encostou no vão da porta e ficou me observando. Era estranho ter outra pessoa ali, acompanhando meus movimentos com os olhos, aten
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5
                Quando abri os olhos no dia seguinte, por um instante, não soube onde estava. Fiquei desorientada até que as lembranças da noite anterior surgiram na minha mente.                Daren e eu nos beijamos por um tempo infinito e depois o sono veio. Meus olhos começaram a pesar e, embora eu não quisesse me desgrudar dele, não conseguiria ficar mais nenhum minuto acordada.                - Quer que eu vá agora? – a voz dele também estava sonolenta.                Me lembro de minha cabeça apoiada em seu peito, naquela posição um tanto desconfortável do sofá, conseguia sentir o cheiro que vinha de su
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6
                Indo para o trabalho na segunda-feira tudo que conseguia pensar era em Daren e no nosso fim de semana perfeito. Não tínhamos feito nada de especial, apenas conversamos, assistimos a televisão e comemos coisas que nós mesmos fizemos na minha cozinha.                Mesmo assim eu sorria com os pensamentos sem ver nada pela janela do carro escuro. Sentindo muito mais do que tinha sentido nos últimos anos, me sentia mais viva do que antes, como se estivesse saindo do estado automático em que costumava viver.                Se antes estava com medo, depois daquele dia e de beijá-lo infinitas vezes, eu estava nas nuvens. Não sei se por ter ficado sozinha por todos aqueles anos, ou pelo jeito de ser de Daren, ou simples
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7
                - Realmente não é necessário você subir comigo. – falei enquanto subíamos as escadas do meu prédio.                - Faço questão. – Lucas rebateu andando atrás de mim.                O sol estava se pondo e o movimento diminuindo, mas acho que, como aquilo era algo diferente do que ele estava acostumado, tinha necessidade de me proteger.                Quando chegamos ao meu corredor escuro senti Lucas ficar tenso ao meu lado. O motivo não foi as cortinas fechadas quase não deixando nenhum raio de luz entrar, nem a luz da televisão da Sra. Fring passando por baixo da porta e nem mesmo o absoluto
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8
                Quando abri os olhos tive duas certezas. A de que ainda não tinha amanhecido e a de que tinha escutado um barulho na porta da sala.                Me sentei, subitamente alerta, grata por estar no quarto e com a porta trancada também. Mas estava no terceiro andar do prédio e não tinha para onde ir.                Prestei atenção, tentando entender melhor o que eu ouvi, mas tudo permanecia num silêncio tão grande que comecei a me perguntar se não tinha sido apenas um sonho.                Meu coração batia acelerado e minhas mãos estavam agarrando o lençol com força quando escutei mais uma vez o
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9
                Vozes falavam ao mesmo tempo. Falavam demais. Eu não consegui entender uma única palavra por longos minutos, como se estivesse numa espécie de transe, até que uma voz se destacou entre as demais.                - Isabel!                O grito pareceu percorrer meu corpo como um choque elétrico e ergui o olhar dos meus pés para o dono daquela voz. Lucas atravessava a casa da piscina a passos largos, diretamente ao meu encontro, no chão enquanto um médico tentava me examinar há um tempo que eu nem imaginava.                - Você está bem? – ele se abaixou na minha frente com os olhos muito abertos. 
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10
               Não fiquei surpresa quando saímos da cidade e tomamos o mesmo caminho da última vez que andamos juntos de carro. Por algum motivo, fazia sentido. Quase esperei que a tal casa fosse ao lado da cachoeira, por mais que eu soubesse que não havia casa alguma lá da outra vez.                A casa de Lucas, no fim das contas, ficava em um morro onde haviam outras casas, mesmo que bem longe uma das outras. Era uma construção de dois andares, a parte de cima com uma grande varanda externa. Não era excessivamente grande, não passava nem perto da casa dos Luchi, mas era bem impressionante.                Fiquei parada na entrada, olhando de baixo a cima, feliz por não ser mais uma casa padrão no mesmo ba
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