Capítulo 4
Todos ficaram chocados, inclusive Patrícia.

Ricardo recebeu as provas e passou os olhos por elas.

Sua expressão se fechou, e ele atirou os papéis com força no rosto de Patrícia.

— Você me decepcionou. Continua tentando machucar Helena!

Fez uma pausa antes de elevar a voz:

— Guardas...

Mas, diante do rosto pálido e sereno de Patrícia, não conseguiu completar a ordem de execução.

Helena percebeu a hesitação, e seus olhos revelaram um lampejo de ódio.

Ela segurou a mão de Ricardo e implorou entre lágrimas:

— Patrícia é minha irmã... Por favor, não mate ela. Alguns dias na prisão devem ser suficientes para aprender a lição.

Ricardo franziu a testa e voltou a hesitar.

A prisão era escura e úmida, cheia de instrumentos de tortura.

Muitos saíam de lá mortos ou com sequelas permanentes.

Os ferimentos nas costas de Patrícia ainda não tinham cicatrizado. Como ela suportaria aquilo?

Helena percebeu claramente o conflito dele, e seu ódio cresceu.

"Desde quando Patrícia tinha se tornado tão importante para Ricardo? Ele não suportava nem a ideia de mandar ela para a prisão?"

Helena apertou os dentes e deixou a voz ainda mais fraca.

— Eu também não queria castigar Patrícia. Mas, se isso ficar por isso mesmo, quem vai me respeitar? Esqueça... Ela é minha irmã. Vamos fingir que nada aconteceu...

Uma crise violenta de tosse interrompeu suas palavras.

Em seguida, Helena cuspiu sangue no lenço branco.

Ricardo se assustou e apertou ela contra o peito.

— Chamem o médico! Depressa!

Ele olhou para Patrícia, imóvel e sem expressão, depois para Helena, enfraquecida e com sangue na boca.

Sua última hesitação desapareceu.

— Levem Patrícia para a prisão!

Os guardas agarraram os braços de Patrícia sem delicadeza e arrastaram ela para fora.

Patrícia não resistiu nem tentou se defender.

Já tinha entendido que tudo era uma armação de Helena.

Explicar não adiantaria.

......

A prisão era exatamente como diziam: fria, úmida e com cheiro de mofo.

Patrícia foi jogada numa cela.

A porta de ferro se fechou, bloqueando a pouca claridade que vinha de fora.

Ela se encostou na parede gelada.

A violência do trajeto tinha reaberto os ferimentos nas costas, e o sangue encharcava suas roupas.

Doía muito, mas ela já não tinha forças para cuidar daquilo.

Não soube quanto tempo passou até a porta se abrir.

Um carcereiro entrou carregando um embrulho com instrumentos de tortura e sorriu com desprezo.

— Sinto muito. Recebi ordens para dar uma lição em você. É bom você aprender que não pode contrariar certas pessoas.

Ferro em brasa, pregos, instrumentos para esmagar os dedos...

Patrícia, já ferida, foi submetida a uma tortura atrás da outra.

Durante dois dias inteiros, ela suportou incontáveis torturas.

Manteve os dentes cerrados, sem soltar um grito, enquanto sua consciência oscilava entre a dor e o frio.

"Arthur, me perdoe. Talvez eu não consiga chegar até você..."

Quando estava prestes a perder completamente os sentidos, sentiu um calor repentino.

Alguém pegou ela nos braços.

Aqueles braços tremiam, mas a seguravam com um cuidado que ela conhecia bem.

Ela conseguiu abrir os olhos por um instante e, mesmo com a visão turva, distinguiu o maxilar tenso de Ricardo.

Quando despertou outra vez, estava no Palácio Lua Prateada.

Ricardo permanecia ao lado da cama, segurando um copo de remédio líquido.

Ao ver que ela tinha acordado, pareceu aliviado.

Encheu uma colher e levou o remédio até os lábios dela.

— Tome.

Patrícia fez força para se sentar e estendeu a mão.

— Eu consigo sozinha.

A mão de Ricardo parou no ar.

Ele observou Patrícia pegar o copo com dificuldade e beber todo o líquido amargo sem sequer franzir a testa.

Aquele incômodo inexplicável voltou.

Ele perguntou, com a voz rouca:

— Precisa agir assim? Eu já cuidei de você desse jeito antes.

Patrícia deixou o copo vazio de lado e enxugou a boca com um lenço.

Ela respondeu, sem forças:

— Naquela época, eu ainda era sua esposa. Agora Helena é a imperatriz. Não quero incomodar você.

Ricardo franziu a testa.

— Está me culpando por ter mandado você para a prisão?

Patrícia baixou os olhos.

— Eu não ousaria. Só quero dizer que não fui eu quem espalhou a história nem tentou prejudicar Helena.

Ricardo ficou em silêncio por alguns instantes.

A luz fraca do quarto acentuava a rigidez de seu perfil.

Então, ele falou:

— Eu sei.

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