Patrícia passou a noite inteira trabalhando na estola.
Com a pele de coelho branca como neve e os bordados delicados, a peça tinha ficado luxuosa e quente.
Assim que amanheceu, ela foi pessoalmente entregar o trabalho no Palácio Imperial Vitória, onde Helena morava.
Helena se arrumava diante do espelho.
Ao ver Patrícia, seu olhar se tornou frio.
— O que veio fazer aqui?
Patrícia baixou a cabeça em cumprimento.
— Bom dia, Helena. Terminei a estola que Ricardo me pediu para fazer para você. Vim entregar.
Uma criada recebeu a peça e passou para Helena.
Bastou Helena tocar a pele para sua expressão mudar.
— De joelhos.
Patrícia ficou sem reação.
Helena repetiu, com frieza:
— Eu mandei você se ajoelhar. Não pense que pode me desrespeitar só porque recebeu o título de Consorte Imperial.
Após um breve silêncio, Patrícia se ajoelhou.
Helena parou diante dela e baixou os olhos.
— Por que caprichou tanto no bordado? Queria que Ricardo lembrasse de você sempre que visse a estola e começasse a visitar você com mais frequência?
Uma risada de desprezo escapou de seus lábios.
— Pode tirar essa ideia da cabeça. Ele sempre amou a mim. Só se casou com você para me proteger. Assim que se tornou imperador, casou comigo. Você é apenas uma Consorte Imperial. Ainda não entendeu qual é o seu lugar?
Patrícia manteve a cabeça baixa.
— Eu não faria isso.
Helena ergueu o queixo dela com a mão.
— Pois eu acho que faria, sim.
Soltou o rosto de Patrícia e ordenou aos criados:
— Ela me humilhou de propósito e ainda tentou me machucar! Segurem ela e deem vinte chicotadas! Quero ver quem vai ter coragem de fazer isso de novo!
Os criados trocaram olhares, sem ousar se mover.
Ricardo tinha se casado com Helena, mas não parecia completamente indiferente a Patrícia.
Se cumprissem aquela ordem...
Helena exigiu:
— Minha palavra não vale nada? Pensem bem em quem o imperador ama. Vão mesmo me desobedecer por causa dela?
A ameaça era clara. Ninguém hesitou outra vez.
Os criados avançaram e imobilizaram Patrícia.
— Minha senhora!
Letícia empalideceu e tentou correr até Patrícia, mas as outras criadas seguraram ela com força, impedindo que se aproximasse.
Patrícia foi empurrada contra o chão.
O chicote atingiu seu corpo, e cada estalo ecoou pelo salão vazio.
O primeiro golpe arrancou um gemido abafado de sua garganta.
Ela mordeu o lábio.
Veio o segundo. Depois, o terceiro.
A dor aumentava a cada chicotada.
Suor frio brotou em sua testa, e seu rosto perdeu a cor.
Com os olhos fixos nas pedras do piso, ela repetia para si mesma: "Só mais um pouco. Daqui a alguns dias, vou embora... Arthur, espere só mais alguns dias..."
Sua consciência começou a falhar.
Os estalos do chicote e os gritos de Letícia pareciam cada vez mais distantes.
Quando estava prestes a desmaiar, uma voz furiosa soou na entrada:
— Parem!
Logo depois, Patrícia ouviu passos rápidos e familiares.
Pela visão embaçada, distinguiu a barra de uma roupa bordada em ouro.
Era Ricardo.
Ele se aproximou a passos largos.
Ao ver a cena, seu rosto endureceu de raiva.
— O que está acontecendo aqui?!
Ricardo afastou com um golpe o criado que segurava o chicote e se abaixou para ajudar Patrícia.
Ao tocar nela, sentiu o sangue quente e pegajoso que encharcava seu vestido fino.
Sem perceber, deixou o espanto se misturar à fúria na voz:
— Quem deu a vocês o direito de bater nela?!
Patrícia mal conseguiu entreabrir os olhos. A dor era forte demais para falar.
Helena cobriu o rosto e declarou, com voz de choro:
— Fui eu que mandei!
Ricardo ergueu a cabeça imediatamente.
Com os olhos cheios de lágrimas, Helena apontou para a estola no chão.
— Patrícia ficou com inveja porque eu me tornei imperatriz. Escondeu uma agulha na estola para me machucar! Por sorte, minha criada encontrou a agulha a tempo. Senão, eu teria me machucado! Eu não queria fazer nada a respeito, mas, se até aqui dentro se atrevem a me atacar, quem vai me respeitar?
Ricardo franziu a testa ao olhar para a estola luxuosa.
Depois, voltou a atenção para Patrícia, ainda em seus braços, com a expressão fechada.
— É verdade?
Letícia finalmente conseguiu se soltar e caiu ao lado de Patrícia, chorando.
— Majestade, isso não é verdade! Patrícia passou a noite inteira fazendo a estola e conferiu tudo com cuidado. Não tinha agulha nenhuma! A imperatriz inventou essa acusação!
— Letícia, fique quieta!
Patrícia tentou impedir, mas já era tarde.
Ricardo olhou para Helena, com o rosto banhado de lágrimas, e depois para Patrícia.
Sua expressão oscilou algumas vezes, até que ele soltou Patrícia.
Quando falou, sua voz estava assustadoramente fria:
— Você se atreve a acusar Helena? Levem essa criada para fora e batam nela até morrer.