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Capítulo 2 - Dívida Paga com Sangue

Antes de tudo dar errado…

houve um tempo em que Lívia Navarro foi desejada.

Ela não se lembrava, é claro.

Mas gostava de imaginar.

Às vezes, quando a dor ficava insuportável, ela fechava os olhos e tentava montar uma versão diferente da própria história. Uma em que sua mãe sorria mais. Em que seu pai não gritava. Em que existia amor.

Diziam que, no início, seus pais eram felizes.

Que Isadora Navarro — antes Isadora Vasconcellos — ria fácil, falava com delicadeza e carregava nos olhos uma luz que chamava atenção. Que ela amava Rogério. E que, por um tempo, ele também a amou.

Quando Isadora descobriu a gravidez, ficou radiante.

Era uma menina.

Ela dizia que já sentia isso no coração.

Preparou roupas, escolheu nomes, sonhou com o futuro.

Queria uma filha para amar… para proteger… para dar tudo aquilo que nunca teve coragem de pedir para si mesma.

Mas não teve tempo.

O parto foi difícil. Longo demais.

E, no final… fatal.

Isadora morreu antes mesmo de poder segurar a filha nos braços.

Lívia foi retirada às pressas, do corpo já sem vida da mãe.

E, naquele instante, sem saber… sua vida já havia sido marcada.

Porque, para Rogério Navarro, aquilo nunca foi uma tragédia.

Foi uma culpa.

E essa culpa tinha nome.

Desde o primeiro dia, Lívia foi rejeitada.

Nunca houve colo.

Nunca houve carinho.

Nunca houve sequer um olhar de afeto.

Apenas desprezo.

E, com o tempo… violência.

Os anos passaram, e junto com eles vieram as marcas.

Nos braços.

Nas pernas.

Na alma.

Lívia cresceu aprendendo a se calar.

Aprendeu a abaixar a cabeça.

Aprendeu a sobreviver.

Mas nem sempre o silêncio era suficiente.

Seu meio-irmão, Vinícius Navarro, sempre a olhou de forma diferente.

Errada.

Repulsiva.

Ele nunca chegou a ir até o fim… mas tentou.

Mais de uma vez.

E toda vez que Lívia encontrava coragem para tentar falar… para tentar pedir ajuda…

Era punida.

— Para de inventar mentira! — Rogério gritava, antes de bater nela com ainda mais força.

E assim, ela aprendeu outra coisa:

Ninguém iria salvá-la.

O presente voltou como um soco.

Lívia estava no chão da cozinha, os cacos da xícara espalhados ao redor. Suas mãos ardiam, pequenas linhas vermelhas se abrindo onde o vidro havia cortado sua pele.

Ela não ousava se mexer.

Nem respirar alto.

Do lado de fora da cozinha, vozes ecoavam.

A visita.

Rogério tinha ido atender.

E, antes de sair, gritou:

— Vinícius! Fica de olho nessa desgraçada. Não quero ela aparecendo!

Os passos pesados vieram logo depois.

Lívia fechou os olhos por um segundo.

Não.

Qualquer um… menos ele.

Mas não adiantava.

Vinícius apareceu na porta da cozinha, com aquele sorriso torto que fazia o estômago dela revirar.

— Olha só… — ele murmurou, encostando no batente. — Parece que alguém fez besteira de novo.

Ela permaneceu em silêncio.

Ele se aproximou devagar.

Agachou na frente dela.

E, sem aviso, segurou seu queixo com força, obrigando-a a encará-lo.

— Sabe… — ele disse, aproximando o rosto — eu tava pensando em você essa noite.

O nojo subiu pela garganta de Lívia.

— Acho que vou no seu quarto mais tarde… te fazer uma visitinha.

O coração dela disparou.

— Já que ninguém nunca vai querer você… — ele sorriu — eu posso ter essa misericórdia.

Foi o limite.

Lívia cuspiu na cara dele.

— Você só faz isso porque nenhuma mulher te quer — ela disse, a voz tremendo, mas firme. — Por isso precisa forçar.

O sorriso dele desapareceu.

Se transformando em algo pior.

Frio.

Perigoso.

— Sua…

Ele olhou ao redor. Pegou um dos cacos de vidro maiores no chão.

E, antes que ela pudesse reagir—

Cravou na mão dela.

Lívia tentou gritar.

Mas ele tampou sua boca com força.

— Fica quieta! — rosnou.

Lágrimas escorreram imediatamente, misturadas com o sangue que começava a escorrer entre seus dedos.

A dor era insuportável.

Mas ela não podia fazer som.

Não podia.

Na sala, a porta se abriu.

— Quem é? — Rogério perguntou, irritado.

A resposta veio com um empurrão.

Três homens entraram sem pedir permissão.

— Viemos cobrar a dívida — disse o líder, a voz calma… mas carregada de ameaça.

Rogério empalideceu.

— Olha… a gente pode conversar…

— Um mês — o homem interrompeu, impaciente. — Um mês de atraso.

Silêncio.

— Juros correndo… e você me enrolando.

Rogério tentou sorrir, nervoso.

— Eu só preciso de mais tempo—

O homem estalou a língua.

— Não.

Ele olhou para os outros dois.

— Peguem tudo de valor.

Os capangas se moveram imediatamente.

Um deles seguiu para a cozinha.

Vinícius tentou bloquear a entrada.

— Aqui não—

Foi empurrado com facilidade.

O homem entrou.

E parou.

Seus olhos caíram sobre a cena.

Lívia no chão.

Sangrando.

Coberta de hematomas.

Encolhida.

Quebrada.

— Chefe… — ele chamou.

Passos se aproximaram.

O líder apareceu na porta.

E, ao ver… ficou em silêncio.

Algo mudou no olhar dele.

Ele caminhou lentamente até ela.

Se agachou.

Com cuidado… afastou o cabelo do rosto de Lívia.

Observou.

Cada marca.

Cada ferida.

Cada sinal de dor.

Por longos segundos… apenas a encarou.

Lívia engoliu seco.

Mesmo machucada… mesmo com medo…

Ela nunca tinha visto alguém como ele.

Bonito.

Imponente.

Mas não era só isso.

Havia algo no olhar dele.

Algo profundo.

Quase… dor.

Então ele estalou a língua.

E se levantou.

Voltou para a sala.

— Podemos considerar a dívida paga — disse.

Rogério arregalou os olhos.

— Como assim?

O homem o encarou.

Frio.

— Eu levo a garota.

— Não! — Rogério respondeu na hora.

— Nem pensar — Vinícius completou.

— Ela não serve pra nada — Dona Alzira disse, com desprezo. — Nem pra isso.

O homem ignorou.

A decisão já estava tomada.

Fez um sinal.

Os capangas voltaram para a cozinha.

Lívia tentou resistir… mas não tinha forças.

Foi levantada.

Arrastada.

Rogério tentou impedir.

Foi jogado no chão.

Sem esforço.

Minutos depois, o homem saiu da casa.

Mas antes de entrar no carro…

Ele olhou para trás.

E disse:

— Ensinem uma lição.

Os capangas sorriram.

E obedeceram.

Dentro do carro, o silêncio era pesado.

Lívia tremia.

Não sabia o que vinha agora.

Mas sabia de uma coisa:

O pior inferno…

Ela já tinha vivido.

O homem ao lado dela falou:

— Matteo.

Ela demorou um segundo.

— Lívia.

Ele a observou.

— Por que fizeram isso com você?

Ela olhou para frente.

Vazia.

E respondeu:

— Porque eu nasci.

O silêncio voltou.

E dessa vez…

Nenhum dos dois quebrou.

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