Angel
Eu fico parada, observando. Caixas vão sendo enchidas, quadros são retirados das paredes, pastas são empilhadas, porta-retratos somem das mesas. A sala que por tantos anos foi do meu pai, o trono dele, está sendo esvaziada diante dos meus olhos.
Eu achei que fosse sentir alguma coisa por ele. Pena. Dó. Saudade. Qualquer resquício do que uma filha deveria sentir ao ver o pai perder espaço.
Mas nada vem. Porque o olhar que ele lança pra mim, quando se arrisca a levantar a cabeça, é o mesm