Valentina
O choro dela era uma lâmina. Não havia venda nos meus olhos, mas havia um saco de pano preto na minha cabeça. O mundo era escuridão, cheiro de gasolina e solavancos violentos.
Mas o som... o som era a única coisa que importava. Vittoria chorava. Não era o choro de fome ou de manha. Era o choro de terror. Agudo, engasgado, desesperado.
- Shhh, calma, meu amor... a mamãe tá aqui! - gritei, minha voz abafada pelo capuz. - Eu tô aqui, Vittoria!
- Cala a boca! - um dos homens gritou, e