Acordei ainda com o zumbido nos ouvidos, gosto de sangue na boca e o corpo preso entre o banco e o cinto de segurança, procurei por Rafael primeiro e pisquei várias vezes até conseguir enxergar.
_Rafael… -murmurei, virando o rosto.
Ele estava largado no banco do motorista, com a cabeça caída para o lado, todo ensanguentado
Bati no ombro dele, com a pouca força que tinha.
_Acorda, cara… vamos, abre os olhos… -mas nada.
A cada tentativa, o desespero crescia.
Me forcei a mover o braço que mais doía, buscando alguma saída, quando ouvi um som que gelou meu sangue.
É claro que eu estava com medo
Um assovio…
Calmo, quase infantil, destoando do caos.
A porta do carro rangeu, e uma sombra se aproximou.
Vi mãos pegando meu celular, caído a centímetros de mim, e o aparelho ainda brilhava com a foto de Christine.
O homem assobiou de novo, como se estivesse admirando uma obra de arte.
_Então é você, a Julieta do nosso Romeu… -ele diz com a voz baixa, carregada de sarcasmo, eu pude pe