Mundo de ficçãoIniciar sessãoAdeline
— Um brinde a Adeline, a garota mais linda e inteligente que eu conheço! — Maia, uma de minhas amigas, grita mais alto que a música da boate, erguendo o seu copo no ar, e anima as outras garotas.
É domingo à noite, e ela está certa. Adeline Laurent, uma garota adotada e criada com muito amor por pessoas simples, servidores públicos, que trabalharam a vida inteira para me dar tudo o que nunca tiveram. E hoje, pela primeira vez, sinto que consegui retribuir parte disso. Afinal, estamos comemorando a minha formatura — mas isso vai mais além, porque recebi o prêmio máximo da minha formação: uma vaga de diretora de comunicação estratégica da filial Vitale.
Durante anos, sonhei em alcançar esse momento. Agora que consegui, tudo parece irreal.
— Viva, Adeline! — As meninas gritam, fazendo algazarra. Nossos copos tilintam no ar e viramos as bebidas de uma só vez.
O meu mundo dá um giro leve, fazendo o meu corpo flutuar, e decidimos ir para o meio da pista de dança, entregando-nos a um ritmo dançante. É nesse momento que me esqueço de tudo e fecho os meus olhos para mergulhar nas ondas sonoras. As luzes neon se misturam à fumaça esbranquiçada, formando uma cortina, e automaticamente me sinto viva. As horas avançam e tudo parece ainda mais envolvente. Até que…
— Me desculpe, senhorita! — Um homem usando terno escuro me aborda com cautela. As meninas param de dançar e eu também. — Vocês estão sendo convidadas para ir à área vip.
Ele aponta para uma escadaria metálica, e o meu olhar se ergue para o alto. Para um muro de proteção todo em vidro transparente, onde algumas pessoas estão se divertindo. Mas um homem em especial está encostado na parede, olhando para a pista de dança como se tudo ali lhe pertencesse. E o seu olhar penetrante parece perfurar o meu.
Não. Penso em recusar o convite, mas Maia se adianta e, sem pensar duas vezes, ela envolve os ombros das meninas com seus braços e me encara cheia de vida.
— Vamos curtir essa noite, meninas! — Ela grita animada demais, agitando as meninas.
Penso que não serei eu a estragar a alegria delas. Portanto, seguro o meu copo com a metade da minha bebida e sigo logo atrás das garotas. Em uma fração de segundos, um ambiente colorido e sofisticado entra no meu campo de visão. Lindas e exuberantes garotas estão dançando abraçadas a homens aparentemente poderosos. De um lado, há uma mesa com um banquete e, do outro, um bar particular. Sem filas, sem longas esperas. Tudo aqui é servido muito rapidamente e com um requinte incontestável.
— Ninguém deixa ninguém sozinha, ok? — Marie sussurra, chegando perto demais.
Mas logo após o terceiro copo, essa sua ideia se evapora, e elas já estão abraçadas a algum pescoço masculino. Decido ficar na minha e dançar em um canto reservado. Amanhã é o meu primeiro dia na Vitale e não posso me dar ao luxo de exagerar. Contudo, uma presença imponente, quase possessiva, se instala bem atrás de mim. Mexendo-se no meu ritmo mesmo sem ser convidado. O calor do corpo dele me faz prender o ar. E mesmo sem olhar para trás para vê-lo, consigo sentir um tipo de intensidade quase provocadora. Mas é o toque firme da sua mão na minha cintura que me inebria, que me puxa e me faz colar nele. Meu coração b**e em um ritmo tão acelerado que chega a me assustar. Entretanto, me sinto envolvida demais para me afastar.
Logo sinto a sua respiração aquecer a pele do meu pescoço. Sua mão desliza suave pela lateral do meu braço e a sua pélvis roça atrás de mim, causando um frisson gostoso. Fecho os meus olhos e me deixo levar. E quando a sua mão se espalma na minha barriga, a minha cabeça vira para o lado e a sua boca toma a minha em um beijo nada calmo. Tampouco cuidadoso. É intenso, provocante… arrebatador. Como se estivesse me marcando. Tomando algo que não lhe pertencia.
Inexplicavelmente percebo que gosto disso. De ser tomada por ele. De pertencer a esse estranho. E logo me viro de frente, envolvo a sua nuca e aprofundo o beijo como se dele dependesse a minha vida. O meu corpo é chocado contra uma parede de vidro. Prensado entre o seu corpo duro e a parede em minhas costas, e quando o ar começa a escapar dos meus pulmões… ele para tudo.
E, ao se afastar, o seu olhar tão negro como a noite encara o meu.
É o mesmo homem que vi na mureta. Penso, mas não ouso sussurrar uma palavra.
— Venha comigo! — Ele diz, áspero e rouco, perto demais do meu ouvido.
Não tenho chance de responder, pois logo ele segura na minha mão e me guia para dentro de um corredor curto, com luzes vermelhas. E quando para diante de uma porta, ele a abre e me dá passagem.
Não! Minha consciência quase grita dentro da minha cabeça. Apenas dê meia volta e saia daí.
Eu sempre dei ouvidos à minha consciência, mas por algum motivo que ainda não sei, me peguei adentrando o cômodo. O meu olhar percorreu cada canto, mas só havia uma cama espaçosa demais, coberta com lençóis de seda negra e os travesseiros revestidos com tecidos da mesma cor. Do outro lado, prateleiras com luzes neon vermelhas davam destaque a alguns acessórios que nunca ousei usar na minha vida. Chicotes, varas, algemas, correntes e outros que não consigo discernir.
De repente b**e o arrependimento e me viro bruscamente para sair dali. Mas ele está de pé bem na entrada. O olhar frio e penetrante fixado em mim. A veia lateral em seu pescoço chega a saltar. Inevitavelmente meu olhar percorre as suas vestes negras. Uma camisa de botão, com os três primeiros botões abertos, revela um peitoral firme e malhado. Mais para baixo, um abdômen plano… e imagino o quão rígido ele seja.
Ele dá dois passos na minha direção. No entanto, não consigo me mexer. E quando já está perto demais, sua mão toca a lateral do meu rosto com uma firmeza calculada e me puxa para mais um beijo. Me esqueço dos meus medos. Dos receios. Me esqueço de tudo. E quando tudo se incendeia dentro de mim, me pego gemendo em sua boca. O estranho grunhe. Se livra das minhas roupas. Não existe urgência em sua atitude. É como se ele calculasse cada passo. Cada pensamento. Cada gesto. No entanto, estou em chamas e me apresso em me livrar da sua camisa.
Ele solta um grunhido, ao mesmo tempo em que me faz caminhar para a cama, e em alguns segundos sinto a maciez do colchão em minhas costas. Contudo, ele para, e o seu olhar, agora cheio de perversão, encara o meu. Ofegante, o encaro. Mas nada se passa em minha cabeça. Não pronuncio uma palavra sequer. Até que seus lábios quentes demais tocam no meu seio e um som nada apropriado passa pelos meus lábios.







