capitulo 8

— Tudo bem, eu vou ser sua noiva — digo de uma vez, e ele arregala os olhos, nitidamente surpreso. Merda… tenho certeza absoluta de que essa vai ser a maior burrada da minha vida. — Mas eu tenho condições — acrescento rápido, antes que ele ache que vai controlar todas as peças desse jogo.

Ele se inclina um pouco para frente, atento.

— Me parece justo. Vá em frente, garota. — Seus olhos fixam nos meus. — Mas saiba que, se começar com alguma das suas loucuras, está descartado. Então pense muito bem no que vai exigir.

Levanto um dedo.

— Primeiro: pare de me chamar de “garota”. Isso me faz parecer uma criança e, se eu fosse uma, obviamente não poderia ser sua noiva.

Ergo um segundo dedo.

— Segundo: minha mãe não pode nem desconfiar que nosso relacionamento é de mentira. E também não pode achar que pulamos etapas. Para ela, você ainda será meu namorado. Depois de um tempo, inventamos que nosso amor ficou grande demais, que não aguentamos mais viver longe um do outro. — Estendo um terceiro dedo.

— Terceiro: nada de beijos ou carinhos melosos fora das situações obrigatórias. Eu não sou idiota, sei que seremos forçados a certas demonstrações públicas de… amor. Mas peço que não se aproveite da minha boa vontade. Não faço questão nenhuma de sentir sua boca na minha. — Levanto o anelar.

— Quarto: não quero dinheiro. Isso me transformaria em uma puta de luxo, além de eu não saber como diabos explicaria para a minha mãe de onde veio. O que eu quero é um emprego decente, seguro, onde eu possa trabalhar e ganhar meu próprio sustento. — Por fim, levanto o polegar. — Quinto: eu não sei nada sobre etiqueta, boas maneiras ou esse mundo elegante que você vive, mas vou aprender para não passar vergonha. Ainda assim, não ache que vai mandar em mim. Eu não sou sua propriedade. Vou continuar fazendo as coisas que sempre fiz, mantendo meus gostos, meu jeito, e não entre nisso achando que vai revolucionar minha vida.

Levanto a outra mão inteira, deixando claro o mais importante:

— E nunca, nunca faremos sexo. Eu não tenho a menor vontade de rolar em feno com você.

Ele respira fundo, sem desviar o olhar.

— Terminou? — pergunta, com a voz grave e o maxilar tensionado.

Apenas aceno. Sim, terminei.

— Posso aceitar suas condições. E, para nossa segurança, mandarei Victor redigir um acordo para assinarmos. — Ele passa a língua pelo lábio inferior. — Estou confiando em você, então não ouse espalhar uma palavra sobre isso. Para todos os efeitos, para a sociedade inteira, somos um casal de verdade.

Ele aponta o indicador na minha direção.

— Portanto, quero que venha morar no meu apartamento o quanto antes.

— Por quê? — pergunto, sentindo o medo embrulhar meu estômago.

— Porque precisamos passar um tempo juntos. Temos que aprender a conviver minimamente bem, pelo menos na frente dos outros. E o casamento vai acontecer em menos de um mês. Adiar essa convivência não vai nos ajudar em nada.

Quase engasgo com o fio de vinho que ainda estava na minha boca.

— Por que o casamento precisa ser tão rápido? — pergunto, espantada, engolindo em seco. — Minha mãe nunca vai acreditar que casei tão depressa. O sensato seria esperar uns três meses, no mínimo.

— Porque eu já perdi tempo demais. — Ele apoia as mãos na cintura, irritado. — Meu pai anda no meu encalço. E, depois da situação ridícula e injusta que você me deixou na segunda passada, tenho fugido dele nos últimos dias. — Ele vira de costas por um segundo, mas logo se volta novamente, me encarando com firmeza. — Então, quando eu finalmente aparecer, se estiver com uma noiva, isso vai me render pontos extras aos olhos dele.

Franzo o cenho.

— O que o seu pai tem a ver com esse contrato?

— Papai acha que eu preciso limpar minha imagem e minha reputação. E, segundo as ideias antiquadas dele, só consigo fazer isso se tiver uma noiva… e, consequentemente, me tornar um “homem de família”. — Ele faz aspas no ar. — Então ele basicamente me deu uma sentença. E aqui estamos nós, negociando esse acordo.

Cruzo os braços, deixando o sarcasmo escorrer sem esforço.

— Muito maduro e adulto da sua parte.

— Eu tenho os meus motivos — ele rosna, com aquela voz baixa que parece vibrar no ar. — Assim como imagino que você também tem os seus para aceitar a minha proposta.

Apenas balanço a cabeça. Ele está certo, e nós dois sabemos disso.

— Quando se tornar minha esposa, vai precisar de roupas apropriadas. — Seus olhos deslizam pela minha blusa simples, avaliando cada detalhe. — Vou te acompanhar até as melhores lojas de Nova York e garantir que você gaste o suficiente para parecer elegante quando precisar ser anfitriã dos meus jantares… ou quando formos convidados para algum compromisso social.

Escuto tudo isso enquanto continuo bebendo meu vinho, tentando disfarçar o quanto ele é absurdamente gostoso. Eu não sabia que vinho podia ser tão bom assim.

— Acho que posso suportar isso — murmuro, e ele sorri com aquele ar arrogante de quem acredita ter vencido.

— Tenho certeza de que fará o seu melhor. — Ele então fixa seus olhos castanhos nos meus, com uma seriedade que me deixa tensa. — Agora vamos à regra mais importante.

— Qual? — pergunto, sem imaginar o que mais ele poderia acrescentar.

— Isso é só um contrato, nada além disso. Então… não se apaixone por mim, garota.

A campainha toca alto, cortando minha resposta pela metade, e Mateus se levanta como se tivesse levado um choque, indo até a porta.

Idiota. Como se eu tivesse alguma queda por cavalos. Quando ele voltar, vou fazer esse cavaleiro arrogante engolir cada um dos relinchos que ele acabou de soltar.

— Acho que nosso acordo começa agora — ele anuncia, e um arrepio percorre minha espinha. — Meu pai está lá fora, mas ele não pode te ver assim. — Ele aponta para uma porta lateral. — Ali tem um banheiro. Vá até lá e tente deixar suas roupas com uma aparência mais… apresentável. Se quiser, pode usar algumas peças minhas.

Me levanto desejando, do fundo da alma, que teletransporte fosse uma habilidade real. Queria desaparecer dali e esquecer completamente que aceitei entrar nessa enrascada colossal. Mas acabo caminhando para onde ele indicou.

Antes de entrar, ouço a voz grossa de David ecoar pelo corredor:

— Ah, Isabella… nada de loucuras diante dele. Aja como uma mulher simpática e, principalmente, como se me amasse.

Reviro os olhos e entro no banheiro de uma vez.

Que Deus me salve — e me dê paciência — porque eu não faço ideia do que vai acontecer nesse maldito noivado falso.

E, pior ainda… agora não tem mais volta.

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