Capítulo 45.
JULIA MONTENEGRO NARRANDO:
O carro parou em frente à minha casa com uma suavidade que contrastava com o turbilhão dentro de mim. Olhei pela janela e senti o estômago se revirar. A fachada simples, o portão antigo, a pintura já pedindo socorro… tudo aquilo parecia pequeno demais perto do que estava prestes a ser dito ali dentro.
— Chegamos — o motorista avisou.
Gabriel desceu primeiro. Abriu a porta para mim e estendeu a mão, num gesto que ainda me causava estranhamento. Não porque fosse forçado