Capítulo 41.
GABRIEL NARRANDO:
Quando fechei a porta do meu apartamento, tive a estranha sensação de que algo tinha ficado para trás comigo. Não era um objeto, não era um compromisso esquecido. Era um peso silencioso, grudado no peito, que eu trouxe desde o momento em que saí da casa de Julia.
O corredor estava silencioso, como sempre. O apartamento também. Luzes apagadas, ar-condicionado em temperatura constante, tudo no mesmo lugar de sempre. A ordem habitual que, naquela noite, não me trouxe conforto alg