Mundo de ficçãoIniciar sessãoNovamente culpou a gravidez por toda aquela bobagem que estava pensando. Mais tarde faria uma pesquisa se a gestação realmente afeta o psicológico da mulher, porque nada do que vinha fazendo ou imaginando desde o início daquele dia parecia racional.
Entrar no carro de um estranho seminua não era nada racional — ainda mais porque aquele homem despertava um fogo dentro de si que a deixava com as pernas bambas apenas por encarar seus magníficos olhos azuis.
Desde o momento em que se sentou ao lado dele, pensamentos indecentes começaram a surgir. O simples esbarrar de sua perna na dele ou observar aquelas mãos grandes segurando firme o volante já a deixava com calor, a ponto de abrir um pouco o robe, sem se importar em mostrar o decote.
— Vai me dizer o motivo de estar vestida assim no meio da rua? — ele quebrou o silêncio.
Esmeralda estava tão perdida em seus devaneios que sentiu um arrepio percorrer todo o corpo ao ouvir aquela voz grave. O que estava acontecendo com ela? Seus hormônios estavam à flor da pele; nem mesmo com Vinícius ficava assim — e estava grávida dele.
— É uma história bem humilhante, para falar a verdade. Nem sei se devo contar — suas bochechas ficaram vermelhas de vergonha.
— Não pode ser pior do que as coisas que aqueles homens que buzinaram imaginaram — disse ele, com um sorriso de lado.— Ai, meu Deus, que vergonha! Eu não acredito que isso esteja mesmo acontecendo comigo. Juro que não sou nenhuma prostituta — disse ela, tampando o rosto com as mãos.
— Então me diga o que aconteceu — insistiu ele.Esmeralda respirou fundo para criar coragem. Como havia se metido em uma situação tão humilhante? E ainda por cima estava grávida. Pela primeira vez na vida concordou com sua mãe, que sempre dizia que ela não tinha juízo.
Como iria criar uma criança, ainda mais sendo mãe solo? De repente, seu coração se apertou dentro do peito; o estômago se revirou. Antes mesmo de falar qualquer coisa, ouviram um barulho alto vindo de sua barriga. Só então se lembrou de que não havia jantado: tinha pedido comida, mas esperou por Vinícius para celebrar — algo que nunca aconteceu.
Olhou envergonhada para o motorista.
— Primeiro vamos alimentá-la, depois você me conta tudo, está bem?Ela concordou, repreendendo-se pelo que sentia cada vez que ouvia aquela voz. Tudo o que conseguia imaginar era aquele homem sussurrando palavras indecentes em seu ouvido, enquanto a segurava firme em seu colo, ali mesmo no banco do motorista.
Ficou ainda mais vermelha por tais pensamentos; nem mesmo sabia se o homem era solteiro. Ao menos não havia nenhuma aliança em seu dedo. Imaginar e desejar não poderia ser pecado, certo? Pelo menos ela esperava que não. Caso contrário, que Deus tivesse misericórdia de sua alma — e de todas as outras mulheres que cruzassem o caminho daquele homem.
Apenas olhar para ele já bastava para qualquer uma desejar se perder em seus braços.
— Eu nem sei o seu nome — disse ela, tentando afastar aqueles pensamentos. — Arthur. E o seu? — Esmeralda — respondeu, mordendo os lábios.O nome Arthur combinava perfeitamente com ele e com aquele jeito heroico.
— Esmeralda, como a pedra preciosa. Seu nome combina com você e com esses lindos olhos verdes — disse ele, parando o carro e encarando-a. Tocou levemente seus dedos em seu rosto, fazendo-a suspirar e fechar os olhos.Se antes já estava caidinha por ele, agora se derretia por completo. Aquele homem tinha a beleza de um anjo, mas parecia o próprio pecado — e ela estava disposta a se entregar completamente ao dono dos olhos azuis mais intensos e penetrantes que já havia visto.
Não sabia ao certo se ele percebia o quanto estava mexendo com ela, pois desligou o carro e tirou o cinto como se nada tivesse acontecido.
— Fique aqui, eu já volto.Abriu a porta e seguiu em direção a um fast food. Esmeralda percebeu que estava prendendo a respiração até aquele momento. Seu peito subia e descia rapidamente. Abriu o vidro em busca de ar, tentando aliviar o calor que a consumia.
Abriu completamente o robe, sem se importar por estar apenas de lingerie — pelo menos até ele voltar.
Olhou-se no espelho: suas bochechas estavam de um vermelho intenso. O que aquele homem estava fazendo com ela? Desde o momento em que o viu, sentia-se em chamas e precisava desesperadamente dele para apagar aquele fogo.
Fechou os olhos por alguns segundos, tentando esvaziar a mente e recuperar um pouco de raciocínio lógico. Arthur agia como um perfeito cavalheiro, diferente de tantos outros que, ao vê-la naquela situação, tentariam forçá-la ou lançar cantadas estúpidas.
Ele, ao contrário, não havia feito nada que a incomodasse; pelo contrário, a defendeu sem sequer saber quem ela era ou por que estava vestida daquela forma.
Estava tão perdida em seus pensamentos que nem percebeu quando a porta do carro foi aberta e Arthur surgiu com uma sacola nas mãos.
Ela abriu os olhos e o flagrou analisando cada detalhe de seu corpo. Ali estava a prova de que ele também a desejava. Fechou rapidamente o robe, mesmo querendo que Arthur continuasse a olhá-la daquele jeito.
Ele engoliu em seco, sentou-se ao lado dela e entregou uma lata de refrigerante e um pacote. O cheiro de fritura invadiu o carro; seu estômago se contorceu. Nunca desejou tanto comer um hambúrguer com batatas fritas em toda a sua vida.
Para falar a verdade, nem lembrava qual havia sido a última vez que comeu algo tão gorduroso. Arthur a observava com atenção enquanto Esmeralda devorava o hambúrguer; ele sorriu, dando algumas mordidas no dele.
— Desculpe meus modos, eu estou faminta — disse, envergonhada. — Não se preocupe com isso.Era estranho sentir aquele olhar atento sobre si. Esmeralda não sabia explicar por que aqueles olhos pareciam tão curiosos em sua direção.
— O que foi? — perguntou, tomando um gole de refrigerante.Céus, aquilo estava uma delícia! Como havia passado tanto tempo sem experimentar aquela maravilha?
— Eu só estou curioso, há muitas coisas sobre você que me deixaram intrigado. — Acho que posso dizer o mesmo sobre você.Arthur ergueu uma sobrancelha, surpreso com a resposta.
— Como, por exemplo? — Você é do tipo calado e muito fechado, tem um olhar frio e distante, mas um bom coração.Pela maneira como ele a encarou, ficou claro que nunca ninguém havia lhe dito algo assim.
— Me desculpe, eu não pensei antes de falar... quanta grosseria — disse Esmeralda, ainda mais envergonhada.
Já havia passado por poucas e boas naquele dia. O homem ao seu lado, apesar das circunstâncias, mostrará gentileza ao oferecer uma carona e lhe dar comida. Sentiu-se culpada por imaginar que suas palavras pudessem tê-lo ofendido.







