Ravena
O solo sob minhas patas era quente, vivo, pulsante. Cada toque, cada impacto do meu corpo contra a terra, me fazia sentir parte dela. Era como se a floresta respirasse comigo, e eu com ela.
A noite nos envolvia em seu manto escuro como a promessa de um segredo. E eu corria.
Corria com a minha alcateia.
O vento cortava minhas orelhas, sibilando como uma canção esquecida. O cheiro de musgo, de seiva, de água fresca e terra molhada se entrelaçava ao perfume do sangue e da liberdade.