Helena narrando…
Quando eu cheguei à sala do Lorenzo, eu ainda não fazia ideia do tamanho da tempestade que estava prestes a atravessar.
Meus passos eram contidos, quase tímidos no chão frio e polido daquele corredor que sempre me pareceu maior do que qualquer outro lugar da empresa. O ar ali tinha um peso diferente. Não era só silêncio. Era expectativa. Era tensão comprimida nas paredes. Eu sentia isso antes mesmo de abrir a porta.
Quando entrei, meus olhos procuraram Lorenzo por reflexo. Ele estava em pé, perto da mesa, sério — sempre sério — como se o mundo inteiro fosse uma equação sob controle. Mas foi outro rosto que me fez parar por dentro.
Heitor.
Por um segundo, eu achei que estava imaginando. Pisquei, o coração errando o ritmo, e ele continuava ali. Em carne, osso, presença. A mesma postura firme, o mesmo olhar que sempre misturou autoridade e cuidado desde o dia em que me conheceu. O sogro que a vida me deu sem cerimônia.
Meu peito se esquentou de uma forma tão