Lorenzo Narrando…
Quando Helena começou a subir as escadas, eu fiquei parado ali, no meio da sala, sem conseguir me mover por alguns segundos.
Era só uma mulher subindo degraus, eu deveria simplesmente seguir meu próprio caminho, cuidar do que eu tinha que fazer, pensar no que viria depois… mas não. Eu fiquei ali, observando.
Os pés dela no segundo degrau. A mão deslizando pelo corrimão. O ombro ainda tenso pelo dia que tinha vivido. E aquela respiração curta, que ela tentava controlar para não demonstrar o quanto estava à beira de transbordar.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti algo perto de… admiração.
Admiração verdadeira. Não o reconhecimento frio que eu costumeiramente oferecia às pessoas por eficiência, mérito ou utilidade técnica. Mas algo mais primitivo, mais humano, algo que se enraizava em mim sem pedir permissão.
Ela subia as escadas exausta — mas firme. Tinha o corpo castigado pela tensão, pelos impulsos de adrenalina que o dia inteiro exigiu dela. Mas não se cu