Lorenzo Narrando…
Dois dias.
Dois dias com o programa da Helena rodando sem interrupção.
Dois dias que pareceram um suspiro no meio de uma cidade em chamas.
A rotina da V-Tech havia virado um campo de guerra. Não no sentido literal — ainda —, mas no emocional, no político, no financeiro. A cada hora, uma nova manchete. A cada hora, uma nova especulação. A cada hora, um novo ataque escondido sob o disfarce barato de “interesse público”.
“CEO perde controle da maior empresa de tecnologia militar do continente.”
“Drones falham e colocam segurança nacional em risco.”
“V-Tech à beira do colapso?”
Eles não escreviam perguntas. Escreviam sentenças.
E eu lia tudo.
Não por masoquismo. Mas porque a guerra não se enfrenta de olhos fechados.
Os jornalistas se revezavam na porta da empresa desde o amanhecer. Câmeras armadas como armas. Microfones esticados como lanças. Rostos famintos por um erro, uma palavra torta, um vacilo de expressão.
Eu entrava pelos acessos subterrân