Helena Narrando…
O professor falava.
Eu ouvia.
Mas não era exatamente ele que ocupava meus pensamentos.
Os códigos ainda giravam na minha mente como um organismo vivo, respirando em ciclos. Padrões, falhas, fragmentações, enlaces. Eu piscava e via linhas de comando projetadas no escuro das minhas pálpebras. Dormir pouco já tinha virado rotina há semanas — desde que o colapso da V-Tech virou também, de algum modo, parte da minha própria vida.
A sala de aula em Stanford estava cheia. Avançados. Mestrado. Um sonho antigo que agora parecia dividido com outro universo completamente diferente.
Lorenzo.
A empresa.
A crise.
O programa.
O risco.
O coração batendo onde não devia.
O professor caminhava pelo corredor central, falando sobre segurança distribuída, sobre camadas de contingência, sobre como nenhum sistema é realmente inviolável — apenas mais caro de quebrar.
Irônico.
Eu rabiscava distraída no caderno quando o celular vibrou no meu bolso.
Ignorei.
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