Capítulo 72 — Convite!

Helena Narrando...

A madrugada foi longa.

Daquelas que não passam, que se arrastam como se o relógio tivesse esquecido o próprio ofício. Fiquei deitada, virando de um lado pro outro, o travesseiro úmido. Chorei. Até o corpo doer. Até o peito parecer um espaço vazio que ecoava o nome dela em silêncio. Eu achava que a dor ia diminuir — as pessoas diziam isso, que o luto suaviza, que o amor se transforma em lembrança. Mas a verdade é que o amor não se transforma. Ele fica. Só muda de forma, e às vezes dói.

Quando o dia começou a clarear pela fresta da janela, percebi que eu tinha dormido uns minutos só. O rosto inchado, os olhos pesados, e aquele aperto que insistia em ficar. Mas junto com o primeiro raio de sol veio também uma espécie de entendimento calado: a vida não espera ninguém. A dor não pausa o mundo.

Minha mãe me ensinou isso.

Ela sempre dizia que o recomeço não precisa ser bonito, só precisa acontecer.

Então eu respirei fundo, me levantei, e olhei pro espelho. O re
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