Helena Narrando...
A madrugada foi longa.
Daquelas que não passam, que se arrastam como se o relógio tivesse esquecido o próprio ofício. Fiquei deitada, virando de um lado pro outro, o travesseiro úmido. Chorei. Até o corpo doer. Até o peito parecer um espaço vazio que ecoava o nome dela em silêncio. Eu achava que a dor ia diminuir — as pessoas diziam isso, que o luto suaviza, que o amor se transforma em lembrança. Mas a verdade é que o amor não se transforma. Ele fica. Só muda de forma, e às vezes dói.
Quando o dia começou a clarear pela fresta da janela, percebi que eu tinha dormido uns minutos só. O rosto inchado, os olhos pesados, e aquele aperto que insistia em ficar. Mas junto com o primeiro raio de sol veio também uma espécie de entendimento calado: a vida não espera ninguém. A dor não pausa o mundo.
Minha mãe me ensinou isso.
Ela sempre dizia que o recomeço não precisa ser bonito, só precisa acontecer.
Então eu respirei fundo, me levantei, e olhei pro espelho. O re