Helena Narrando...
O som da porta se abrindo me arrancou do torpor.
O relógio acabava de marcar oito em ponto.
Pontual. Como sempre.
Virei o rosto e o vi. Lorenzo.
De terno escuro, gravata perfeitamente alinhada, o cabelo penteado pra trás com aquela precisão que parecia dele até nos mínimos gestos. O homem exalava controle — mas havia algo diferente no olhar, um traço quase imperceptível de cansaço, talvez... ou curiosidade.
Ele parou por um segundo na entrada, observando.
Senti o olhar dele percorrer cada detalhe: o vestido vermelho, o cabelo solto, o batom discreto, o salto.
Não disse nada de imediato, só ficou ali, com aquele ar que parecia medir o tempo e o espaço.
De repente, ele respirou fundo e falou, num tom mais baixo do que o habitual:
— Está pronta.
Assenti, tentando manter o controle da própria voz.
— Estou.
Ele deu alguns passos até ficar diante de mim. O perfume dele preencheu o ar ao redor. Lorenzo sempre teve esse efeito: o de mudar a temperatura de um am