Helena Narrando...
O som da porta se abrindo me arrancou do torpor.
O relógio acabava de marcar oito em ponto.
Pontual. Como sempre.
Virei o rosto e o vi. Lorenzo.
De terno escuro, gravata perfeitamente alinhada, o cabelo penteado pra trás com aquela precisão que parecia dele até nos mínimos gestos. O homem exalava controle — mas havia algo diferente no olhar, um traço quase imperceptível de cansaço, talvez... ou curiosidade.
Ele parou por um segundo na entrada, observando.
Senti o olhar