Lorenzo Narrando... ( Continuação)
Penso no Heitor, inevitavelmente. O “protegido” dele agora me morde pelos flancos com a convicção de quem se julga invencível, e parte de mim quer esmagar isso para mostrar ao meu pai que o apadrinhamento dele deixou um homem pela metade. Mas não vou desperdiçar energia num duelo de vaidades secundárias. A lição que Grégory receberá virá pelo caminho mais eficaz: a experiência do sistema quando o sistema não te escolhe mais como centro. Ele vai aprender sobre anonimato dentro da máquina que achou que dominava. Vai aprender que autoridade não é o volume da voz nem o brilho do slide — é a solidez que resta quando a sala esvazia.
A cidade, do lado de fora, se estende como uma placa mãe iluminada: ruas, fluxos, pacotes de informação. Lá embaixo, gente com histórias que não me cabem, e mesmo assim minha decisão desce e sobe por aqueles elevadores, repercute em andares que nem sempre vejo. Penso que minha vida foi um encadeamento de decisões que se conso