Lorenzo narrando...
Assim que desliguei a ligação com meu pai, encostei a cabeça no banco de couro, olhando pela janela do carro. As luzes riscavam o vidro como se a cidade inteira estivesse acesa só pra me lembrar que amanhã tudo começaria de verdade. Um jantar, uma apresentação, um teatro que eu teria que encenar com perfeição.
O carro entrou direto na garagem do prédio e, como sempre, as portas automáticas se abriram sem que eu precisasse me mover. A tecnologia da V-Tech estava em cada detalhe — até mesmo aqui. O motorista saiu, abriu a porta pra mim, eu desci, e fiz um aceno curto e subi sozinho.
Passei direto pelo hall, ignorei o segurança e entrei no elevador privativo. Apertei o último andar, a porta se fechou e eu encostei na parede, ajeitando a gravata.
O elevador subiu sem pressa, o cansaço bateu no meu corpo. Helena estava lá em cima. A cobertura, que sempre foi um espaço de silêncio absoluto, agora tinha alguém diferente respirando dentro dela. A faxineira transform