Guilherme Narrando…
Meu nome é Guilherme Boa Ventura, tenho vinte e seis anos, e carrego uma história que nunca foi leve, nunca foi simples, nunca foi justa. Algumas vidas começam com estabilidade e seguem em linha reta. A minha começou com perda, silêncio e promessas que o tempo tratou de transformar em feridas abertas.
Perdi meus pais quando eu tinha doze anos. Um acidente seco, abrupto, desses que não pedem licença e não deixam espaço para despedidas. De um dia para o outro, a casa que sempre foi viva ficou grande demais, silenciosa demais, pesada demais. Minha irmã, Laís, tinha vinte anos naquela época. Estudante de medicina, dedicada, brilhante, com os olhos sempre cheios de futuro. O sonho dela era seguir a carreira dos nossos pais, honrar o nome da família, salvar vidas como eles fizeram. Mas o baque foi cruel. A dor não escolhe idade, nem preparo emocional. Laís tentou ser forte, tentou me proteger, tentou continuar… mas não conseguiu.
Sem condições emocionais de assumir minha